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A Massa Crítica das Religiões

Uma religião atinge sua massa crítica e fica diante de uma fissão espiritual toda a vez que o número de seguidores ganha proporções sociais. A espiritualidade é um processo individual, embora trate a individualidade de forma relativa ao universo envolvido. Na prática, tentamos resolver as questões do invisível com a espiritualidade e esta se torna eficiente na medida em que consegue oferecer símbolos satisfatórios com relação à vida da sociedade em questão. Mas os oferece ao indivíduo, delimitado pela sua própria percepção de individualidade.
Quando a religião atinge a massa crítica, deixa a simbologia relegada a um segundo plano, parte para uma simplificação frente à limitação cultural e filosófica das massas e passa a cuidar de questões éticas. Passamos a ter como base uma cartilha de “certos” e “errados”. Aí é que a espiritualidade explode, dando lugar a um processo tanto interessante como catastrófico para o indivíduo, porém eficiente para o controle de massas.
Para resolver tanto questões sociais como inquietações individuais, as cartilhas éticas são regradas de passagens que rumam à castração de desejos, vontades e impulsos que, em lugar de serem considerados legítimos fenômenos químicos necessários à existência, “resolvem” os problemas de ter de encarar os limites do ser humano e admitir, de uma vez por todas, que somos “macacos pelados cabeçudos”, como diz um velho amigo.
Está com tesão? Tem um desejo por outra pessoa que não é aquela que você jurou eterno amor? Não consegue se auto-afirmar como um homem de sucesso? Sem dinheiro? Esqueça! Tudo isso é pecado mesmo… Assim o indivíduo “resolve” o problema: não precisa mais se preocupar com a ansiedade provocada pelo que ainda não conseguiu, pela frustração de seus fracassos ou arcar com o peso total da responsabilidade de seu infortúnio ou sucesso. É o penitente e feliz genocídio dos próprios desejos.
O efeito colateral dessas “soluções” é que desejos atirados a um suposto esquecimento são, na verdade, informações tratadas quimicamente pelo cérebro e não são descartadas como se gostaria. Pior, são acompanhadas de frustrações e tristezas a compor um pacote, chamado de personalidade sombra, demônio, ou o que quer que seja, que passa a ser um desconhecido da consciência ordinária e ganha liberdade para agir das mais diversas e, na maior parte dos casos, incômodas formas. Passa a atrapalhar a vida do indivíduo sem que ele tenha consciência de onde vêm certos sentimentos, sensações, idéias, impulsos, resoluções, etc.
Mas a cartilha ética tem uma solução: pega-se todos esses pacotes e atira-se em um grande meme, se é que pode se chamar assim dada as proporções individuais e coletivas que ele toma, chamado Diabo. Assim, o Diabão fica poderoso, grande, forte. Se puder olhar profundamente para um fanático religioso, geralmente monoteísta, certamente verá um enorme Diabo que dá a exata proporção de quantos desejos legítimos ele tem reprimido. Quanto maior seu Diabo, maior tem que ser o seu Deus. Um círculo vicioso: se o deus é grande, igualmente grande é o cumprimento das cartilhas, portanto grande é o demônio. Se os desejos são grandes, grandes serão as repressões, os demônios conseqüentes e, portanto, seu deus.
Em outras palavras, o conflito é eterno, um purgatório que durará enquanto o indivíduo respirar. Mas aí, outra solução: tira-se o enfoque desta vida e projeta-se outra, supostamente após a morte. Assim, tem lugar a máxima que se tornou verdade de tanto que foi dita: o sofrimento purifica.
E durante todo esse tempo a coisa era tão simples: o ser humano não é mais do que qualquer outro ser. É só mais um animal, independente de possuir vantagens evolutivas em seu cérebro. Portanto, devemos entender que, mais do que sermos animais, temos o direito de sermos animais, com todos os impulsos, desejos, ódios e uma vida apontada para a reprodução, ou seja, para ela própria. Temos o direito de defender territórios e fazer danças de acasalamento. E os fazemos o tempo todo. Só precisamos aceitar, encarar e parar de jogar essas pérolas no lixo, como fazem os criadores de demônios.
A partir do momento que desejos são sinceramente considerados legítimos, as angústias, rancores e frustrações, que os acompanham quando são atirados às egrégoras demoníacas, perdem a ligação de culpa com os desejos, só restando esses últimos. O grande demônio se torna um aglomerado de energia natural repleto de vida, força, prazer e alegrias. Esta é a arte de transformar demônios em deuses. E, de uma forma ou de outra, todos os desejos são legítimos.
E quanto ao bem e o mal? Só pode se julgar um ser espiritualizado aquele que compreende o universo que está acima das questões éticas. É evidente que estar acima do bem e do mal requer um desenvolvimento espiritual importante, mas nada impede que separemos as coisas: espiritualidade é o instrumento que trata de nossas questões profundas, ainda que se entenda por questões profundas, as coletivas. Quanto à ética, deixamos para a organização social, cultural e cotidiana que nos cerca, utilizando um desenvolvimento espiritual capaz de nos prover do bom senso necessário às escolhas que farão o justo, e não o bem ou o mal absolutos.
Eis um importante caminho a ser desenvolvido pelo magista: suportar todos os desejos e todas as responsabilidades que estes implicam.
Fra. B
1 comentário (clique para comentar)Buraco Negro ou Estrela do Caos?

Este é a imagem de uma reportagem que saiu no Globo, Jornal do Brasil e Folha de São Paulo na sexta-feira dia 09/11/2007. Trata-se de uma descoberta. Os cientistas estavam querendo saber de onde vinha uma chuva de energia detectada que caía sobre a Terra. Montaram um equipamento para fazer o caminho inverso dos raios, seguiram a trilha e encontraram a origem da chuva no buraco negro.
Agora repare bem em quantas pontas tem o buraco negro. O que você vê?
Engraçado, porque o buraco negro vem de uma estrela. Seria uma estrela “morta”. Será que toda estrela morta se transforma em uma Estrela do Caos? Seria um belo paradigma. Principalmente se juntarmos “é necessário ter em si, ainda, o caos, para parir uma estrela dançante” (Nietzsche) com “a morte é a coroa de todos” (Livro da Lei).
Interessante esse papo de buraco-negro. Pode render belos rituais.
3 comentários (clique para comentar)História
Em 1976, num depósito abandonado de munição sobre uma montanha em Rhineland, dois magistas, um inglês, outro alemão, anunciaram a formação da ordem mágica com a celebração de uma missa caótica na companhia de 12 outros magistas associados.
Logo que saímos da montanha, um tornado passou exatamente naquela área. Isso não era nada mais do que um pequeno presságio do que estava por vir.
Nós deixamos a montanha com a idéia fixa de formar uma ordem como nunca havia existido antes, que quebraria com o molde existente e seria um veículo para a Magia do Caos. Um ano depois, alguns de nós nos encontramos num esplêndido castelo austríaco e formalmente nos unimos no Pacto Mágico dos Iluminados de Thanateros, usando como estrutura a simples base de quatro graus e cinco ofícios, que eu dividi em tempo hábil. Desde então, o pacto tem invocado um variado vendaval de criatividade, e uns 16 templos no UK, Alemanha, Áustria, Suíça, Austrália e EUA.
O encontro de todos os membros é realizado anualmente, às vezes, no mesmo castelo original. É sempre uma incrível experiência, durante a qual uma grande quantidade de trabalhos são realizados.
Ao dividir a estrutura, eu tentei superar os erros de ordens previamente estabelecidas, como a Golden Dawn e da Ordo Templi Orientis. Uma certa divisão de trabalho é essencial, apenas, para assegurar que as pessoas se responsabilizem por uma organização, que precisa ser organizada. Talvez isso pareça um absurdo para uma ordem na base de uma ou poucas pessoas, adotando a regra de um grande gurú todo poderoso. Sua sinceridade deve eventualmente ser invocada, e estes tipos de organizações não gostam de avançar em quaisquer idéias com as quais eles não começaram.
Crowley teve que romper com a G.D. para fazer sua própria contribuição para a magia, e Austin Spare teve que romper com Crowley, por sua vez. Este processo é uma estúpida perda de tempo e energia. Qualquer ordem contemporânea que deseje manter-se viva, requer uma estrutura excitante e inovadora ou, ao menos, uma comunicação direta que possa sobreviver em contato com qualquer ideologia dogmática. Uma hierarquia rígida e ensinamentos e crenças fixos destruiriam o espírito criativo, rapidamente. Deste modo, no Pacto, os templos individuais, que são as unidades básicas, experimentam quaisquer tipos de ensinamentos, rituais e idéias que quiserem, e compartilham resultados e inspirações por cartas informativas, revistas, um sistema computadorizado de correio eletrônico, visitas inter-templos e encontros anuais. Há, desta forma, uma seleção natural de idéias. Técnicas, encantamentos e rituais, que se descobre serem realmente úteis, passam a ser usados, substituindo o material antigo. Os membros que entram no pacto fervilhando de idéias são encorajados a pô-las em prática, imediatamente. Naturalmente, numa organização como esta, há menos ênfase à disciplina do que ao entusiasmo e à criatividade. O Pacto está mais interessado naqueles que experimentam a magia como uma coisa viva, do que naqueles que meramente seguem regras. Na realidade, o único poder que o Pacto reserva sobre seus membros é o direito de expulsão de membros extremamente não fraternos ou que possam trazer algum tipo de perigo para o Pacto. O Pacto possui dois objetivos, o primeiro é a busca do grande trabalho mágico e o prazer e proveito concomitantes nesta jornada. E, em segundo lugar, agir como uma força psico-histórica na batalha pelo pandemônio.
Para atingir completamente o primeiro alvo, nós utilizamos as facilidades de comunicação para trabalharmos juntos e desenvolvermos nossa própria magia, através da troca de idéias e informações. Esotéricos devem, também, ser divertidos. Se você não se diverte fazendo magia, provavelmente você está fazendo algo errado. Os proveitos são completos, sejam quais forem as recompensas trazidas pela própria magia. Não há uma associação paga e o encontro anual do Pacto é livre e composto de seminários e exercícios que alguns membros reservam do grande público, junto com qualquer membro que deseje assistir. A grandiosa expressão “Psico-histórica”, agindo na batalha pelo Aeon, consiste, meramente, na divulgação da filosofia do paradigma mágico onde pudermos, por palavra dita ou escrita. De qualquer forma ocasionalmente utilizamos atos mágicos para dar continuidade ao movimento. As técnicas mágicas e filosóficas do Pacto são, principalmente, de inspiração Caoista. A Magia do Caos convoca para uma concentração de mecanismos atuais de trabalho para planejamento de atos de evocação, adivinhação, encantamentos, invocações e iluminação. As técnicas e as intenções são o mais importante para o sucesso mágico. As técnicas mais importantes são aquelas que se ajustam às crenças subconscientes. Crenças subconscientes controlam tanto você e os outros quanto o mundo.
Contanto que isto não seja esquecido, pode-se estruturar um ritual ou um encantamento com qualquer forma ou simbolismo, do Tantra Tibetano ao “Icelandic Runelore”. E, de qualquer forma, onde mais, além do Pacto, poderia se encontrar mecanismos experimentando magia sexual rúnica?
Bem, talvez você possa dar outros exemplos, agora eu digo que a aproximação eclética tornou-se mais perversa no esoterismo.
Insights e idéias são, agora, aproximadas desavergonhadamente de uma tradição para outra, mas é assim que deve ser, e a Magia do Caos encoraja a meta-tradição que traz tudo que é efetivo de todas as tradições, para criar uma mistura explosiva.
Bem, qual o propósito da grande obra mágica, por que se formou o tecno-xamanismo, Goetia Tântrica, Greco-Egípcia ou física quântica? Podemos fazer com que trabalhem para nós mesmos?
Existem mundos dentro de nós, e o universo é infinitamente mais misterioso, tenho certeza, do que todas as nossas teorias juntas. Espero que o Pacto produza alguns dos explosivos que nos propulsionam um pouco mais adiante dentro destes estranhos domínios. Eu não tenho idéia de como vai ser o encontro do Pacto este ano, exceto que lá estarão magistas de várias terras sentados em círculo, prontos para oferecerem suas especialidades em tudo que diz respeito ao esoterismo, de budismo até magia norueguesa e aplicação matemática do Caos, junto com Voodoo e magia do gelo. Nós temos a tecnologia e somos loucos o suficiente para usá-la!
- Peter J. Carroll
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Breve história da IOT na América do Sul e Brasil
A história da IOT Sul-Americana se confunde com a minha própria e começa no inicio da década de 90. Cansado de pertencer a diversas ordens esotéricas e seus problemas de convívio, estava quase convicto que um trabalho de grupo esotérico seria inviável, entretanto, mantinha contato via carta com um ocultista de tradição Haitiana e contatos via fax com a IOT Setor Norte-Americano, devido a um grande interesse pelas obras de Austin Osman Spare.
Lentamente este contato veio se estreitando, até acontecer a iniciação ao 4* IOT, por volta de 1996, quando viajei para Los Angeles para fazer contato pela primeira vez com membros da IOT.
Lembro que naquela ocasião um fato singular aconteceu: após horas de vôo, estava um pouco apreensivo de conhecer pessoas com quem somente tinha tido contato por fax e pouquíssimos telefonemas, começamos a sobrevoar a cidade, e apesar de ser noite, a cidade cintilava abaixo numa claridade como nunca tinha visto, então o piloto declara que havia uma imensa névoa na cidade e que estávamos aguardando a liberação do controle de tráfego local, pois existia uma possibilidade de mudança para aeroporto alternativo. Confesso que fiquei deveras preocupado com tal situação, por não conhecer as pessoas que estariam me esperando, e existir a possibilidade de mudança do vôo para outro local não marcado, além de parecer uma situação de pane, pois definitivamente não havia nenhum sinal de nevoeiro, estava tudo muitíssimo claro, quando, de repente, recebemos autorização para pouso e para minha surpresa apenas o aeroporto estava envolto em um fog de impressionante densidade.
Depois disto, ao desembarcar, conheci os dois Frateres que me esperavam e rimos muito ao comentar que às vezes aquele fenômeno meteorológico ocorria naquele aeroporto e que outros membros já estariam avisados caso o vôo tivesse ido para São Francisco. Mais tarde descobri que um dos Frateres era representante da IOT nos EUA, e o outro do Reino Unido, que estava nos Estados Unidos para uma sessão de palestras.
Fiquei aproximadamente 50 dias com eles. Viajamos Para Seatle WA, onde fui iniciado ao 3* IOT junto com outros membros.
No ano seguinte fui convidado para o 11* encontro mundial do Pacto em Berlim, quando recebi o 2* IOT, passando a ser o Section Head para a Seção Sul-Americana, o que desvinculou qualquer subordinação em relação à Seção Americana, e deu origem à Seção Brasileira (Sul-América) independente. A partir deste momento passei a participar da maioria dos encontros mundiais na Europa .
Um ano depois seria iniciado o primeiro membro ao 3* IOT no Brasil, uma Soror que atualmente vive no Canadá, mas continua conosco ativamente.
Posteriormente em 2004 na Inglaterra recebi o 1* IOT, momento importantíssimo para história da IOT, pois a América do Sul passou a ter entre seus membros um dos 6 representantes do Concílio dos Magos, que coordena o Pacto internacionalmente. Com certeza um marco também no cenário ocultista brasileiro e sul-americano.
Sejam bem vindos a IOT Sul-América e Brasileira.
Fraternalmente
G.
Caostopia
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“Caostopia!” não é uma utopia nem seu oposto, é o que Austin Spare chamou de “o caos do normal”, observado por um olho iluminado, o olho do feiticeiro.
“Caostopia!” é um livro que contém atualizações e avaliações de técnicas usadas na Magia do Caos, é uma exploração dos estados de êxtase relacionados à magia e ao misticismo.
- Magia de Riqueza
- Conflito e Exorcismo
- Sexo e Magia
- Alquimia do Corpo e Cura
- Magia e Física
- Iluminação do Caos
- Espíritos
- Aeon
O autor Dave Lee possui mais de 20 anos de experiência na área da Magia, Feitiçaria, Alquimia do Corpo e também foi treinado em Neurolinguística. Ele ja trabalha com os “Illuminates of Thanateros” há muitos anos, e continua apresentando palestras e cursos intensivos sobre magia nos EUA, Inglaterra e outros paises da Europa. Ele foi um dos primeiros editores da revista “Chaos International”, é o autor de “Magical Incenses” e “The Wealth Magic Workbook” e criador da fita “Galafron Rite”. Dave também escreve ficção, incluindo o conto chamado “Eternity Is Good for You” publicado na coleção New Falcon “Rebels and Devels”.
Comentario de Peter J. Carrol, criador da corrente da Magia do Caos:
“Um Livro leve e inteligente por um líder da Magia do Caos que expandirá e aprofundará o debate, a teoria e a prática do Chaos”.
Dicionário Ouraniano Barbárico
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Nenhum comentário (clique para comentar)Mestre e discípulo
Em meios mágicos modernos há uma extrema ojeriza quanto a relações mestre/discípulo. O grande número de falsos gurus e aproveitadores desmascarados vem deixando o público esotérico desconfiado quando surge alguém que se diz capaz de fornecer um conhecimento novo. Além disso, o fato das novas tecnologias de crenças mágicas em voga baterem exaustivamente na tecla da “auto-construção” faz com que os aspirantes a Magistas fujam dos mestres como o diabo foge da cruz (se me permitem a brincadeira). Impera, então, um clima de “faça você mesmo” que joga o mestre na inutilidade e o discípulo no escárnio. O quadro, contudo, não é tão simples.
A principal forma de aprendizagem humana sempre foi, é e continuará sendo por um longo tempo, a imitação. O ser humano sempre vai buscar conceitos de certo e errado e tentar agir dentro daquilo que é correto. Vale lembrar que, em termos gerais da aprendizagem imitatória, certo e errado não são conceitos morais e sim técnicos. São técnicos porque demonstram os melhores comportamentos a serem realizados para resultar em sucesso nas situações que a vida oferece. O humano inteligente buscará, portanto, referenciais que o façam ser bem sucedido numa pluralidade maior de situações. Isto sendo válido em qualquer campo de vicissitudes.
Há uma busca constante na natureza do espírito humano pelo referencial da maestria, aquele onde há a perfeição do correto. Esta natureza intrínseca de busca resulta em miríades infinitas de relações humanas de aprendizagem, incluindo a relação clássica sobre a qual se fala aqui: mestre/discípulo. Muito ligada a ensinamentos herméticos, este jogo humano é capaz de trazer grandes belezas e descobertas e, ao mesmo tempo, muitas mazelas e literalmente atrasos de vida. Enquanto as primeiras surgem de um processo saudável, as segundas surgem de relações doentias.
Não cabe aqui explicar o que significa saudável e doentio em algo tão subjetivo, mas exemplos práticos podem nos elucidar a questão de forma direta e simples. Normalmente, basta olharmos a situação sob o referencial do Mago (aquele que encontrou a não-hipocrisia suprema dentro de si) para percebermos o desequilíbrio. Doentio é todo discípulo que enxerga o seu mestre como o próprio referencial e não como um exemplo para a construção de seu próprio. Doentio é todo discípulo que, tendo perdido a fé no controle sobre a sua vida, entrega o controle nas mãos de seu mestre. Doentio é todo discípulo que se acomoda nas verdades do mestre e não busca o novo (aliás, ao meu ver, qualquer acomodado é doentio). Ao mestre, cabe o quadro mais simples: doentio é o mestre que busca e acolhe discípulos doentes.
Graças ao universo, um formato saudável é viável. O verdadeiro discípulo, inteligente e perspicaz, será capaz de encontrar pessoas onde possa depositar o título de mestre em relação a si mesmo e, abrindo seu coração e mente para essas pessoas, solapar suas antigas visões de mundo e se engrandecer com a experiência. O verdadeiro mestre, por sua vez, está atento para perceber que seu prazer não deve residir em transformar seu discípulo na extensão de seu próprio brilho mas, antes, em ajudar a desenvolver o brilho do discípulo e se deleitar com a beleza estética desta iluminação.
Quando a relação se dá desta maneira, é possível crescer magicamente de forma bastante rápida e eficiente. O mestre abrirá todo o seu arsenal de conhecimento de forma franca e o discípulo tentará entrar dentro do paradigma de seu mestre para depois voltar fortalecido ao seu próprio. Uma conseqüência natural deste processo é a reviravolta do discípulo quando, depois de ter compreendido por completo o conhecimento do mestre, o discípulo torna-se capaz de incorporá-lo de uma maneira que gera desavenças. Este acontecimento geralmente é estimulado e visto com alegria por verdadeiros mestres. Após este evento, um elo de honra se estabelece. Mesmo que haja brigas, os dois se enxergarão sempre com respeito mágico, um conhecendo a Razão do outro.
O humano sábio classificará todas as pessoas a sua volta de acordo com suas sapiências em relação a ele. Ele saberá ou procurará descobrir se é mestre ou discípulo de alguém em cada uma de suas habilidades. Para uma mesma pessoa, ele poderá ser a um só tempo mestre e discípulo, variando os campos de conhecimento abordados. Não há padrões para dizer quanto tempo dura a relação. Ela pode variar de um minuto a um milênio. Uma frase bem dita e bem captada pode trazer uma iluminação instantânea, enquanto técnicas profundas de reprogramação orgânica podem levar mais de uma vida.
A conclusão a que se chega é que mestre/discípulo não são tipos de pessoas dentro de uma relação, mas uma metodologia astuta para extrair o máximo conhecimento possível das pessoas em sua volta. Uma ferramenta habilíssima para aqueles que desejam fazer seus próprios sistemas mais poderosos, aproveitando o que há de melhor dentro do paradigma de cada um de seus mestres.
AD
Nenhum comentário (clique para comentar)Thelema, uma egrégora hardcore
No portal de recepção, no local de entrada, nós penduramos um aviso: Este lugar não é para qualquer um. Não pense que estamos brincando, muito menos tentando convencer você de que há a possibilidade de um mundo melhor caso siga a nossa doutrina. A única coisa que iremos lhe mostrar é o mundo como ele é, doa em quem doer. Este aviso costuma ser suficiente para afastar todos os maltrapilhos curiosos que se aproximam de nossa morada. Ninguém que não possua um mínimo de coragem e bravura em seu coração é capaz de dar os três toques na porta e pedir permissão para entrar. Porém, mesmo aqueles que entram em nossa sala de estar ainda são avisados da seguinte maneira: Se teme a morte, vá embora.
Assim vão saindo de fininho todos os que chegaram carregados daquela paciência improdutiva que a torpe interpretação do orientalismo pode trazer (eles mesmos, os orientais, cometeram esta gafe de confundir paciência ontológica com paciência mundana). Todos os “zens”, “bichos-grilo”, esquisotéricos new age em geral enfiam o rabo entre as pernas e simplesmente desaparecem quando entendem que Thelema não lhes passará a mão na cabeça em nenhum momento, que Thelema não é uma filosofia de vida ou uma forma melhor de ver as coisas, mas sim um tremendo soco no estômago que bota para fora de uma só vez tudo que estava entulhado impedindo a evolução do ser. Thelema não espera uma domesticação budista, é 8 ou 80. Ou se está preparado ou não.
O cerne de nossa religião chama-se Vontade. Nós mandamos à merda todos os filósofos mesquinhos que cogitam a possibilidade de não possuirmos livre arbítrio e sermos apenas fruto das causas e conseqüências da natureza. E, ainda, devoramos em nosso almoço e em nosso jantar todos os padres, pastores e profetas hipócritas que tentam fazer os fracos acreditarem que alguém externo a eles decidiu sobre suas vidas. A sinceridade ontológica da egrégora Thelêmica é, sem nenhuma sombra de dúvida, cruel e sádica. Muitos são os pequenos que batem em nossa porta dizendo “também queremos ser como vocês! Queremos ser deuses!”. É muito fácil e medíocre perceber que nossas felicidades e sentimentos belos são motivados pela nossa divina vontade. Este é o grande chamariz e a grande armadilha Thelêmica. Entretanto, após esse devaneio infantil, nós nos reunimos com esses cachorrinhos, damo-lhes boas bofetadas na face e, com um sorrisinho irônico no canto da boca dizemos: não só a alegria, mas toda a desgraça, maldição, infortúnio e infelicidade que houve, há e haverá em suas vidas é também responsabilidade de vocês. Esta notícia, quando percebida no seu mais profundo significado, corrói o ser por dentro e o leva a uma crise de proporções astronômicas, cuja única saída é ou a fuga neurótica e hipócrita (como faz a imensa maioria) ou um salto rumo ao desconhecido e novo em busca de um resultado completamente inesperado que pode levar a vida para rumos outros diferentes das antigas ruminâncias domésticas na rotina de ração, chicote e carinho.
Sim, são verdadeiros os boatos de que acreditamos no Cristo. Contudo, nosso Cristo não está morto na Cruz. Após ter morrido, ressuscitado e percebido que seus esforços pelos cães foram infrutíferos, ele resolveu sair pela Terra espalhando sabedoria apenas àqueles que tem ouvidos para ouvir. Tente ensinar matemática a uma vaca e nos compreenderá. Quer conhecer nosso Cristo? Assista a um filme feito por um dos nossos. Dogville, de Lars von Trier. Nós cultuamos o verdadeiro espírito cristão que é muito diferente desta filosofia imbecil criada por Paulo de Tarso. Queremos o bem da humanidade, evolução, alegria, mas fique certo de que isto nada tem a ver com compaixão, sentimentalismo, passividade e submissão.
Thelema tem pressa, afinal vivemos em tempos de urgência, de transformações instantâneas e dinâmicas. Queremos absorver o que há de produtivo em tudo o que há na vida e principalmente na morte e neste viés somos gnósticos. Não vamos lhe ensinar nenhum valor que lhe permita relaxar ou ser uma pessoa melhor. Faze o que tu queres será o todo da Lei. Encontra produtividade onde quer que seja, ou melhor, encaixa seu ser na mais divina e bela produtividade possível e receberá nossa mais profunda benção.
E, por fim, não pense que nos restringimos a coisas como “ordens”, “graus”, “patentes” ou convenções do tipo. Nós estamos em todo lugar, inclusive ao lado de sua mente neste momento esperando a sua reação para decidirmos se vamos ou não infiltrar sua mente com toda a nossa beleza e horripilância.
AD
1 comentário (clique para comentar)Magos e magos
Muitas das pessoas com que me deparei por esses caminhos da magia desejavam tornarem-se magos poderosos. Eu, que me considero apenas um grande curioso e tarado, sempre vi isso de uma posição conservadora, quase ortodoxa.
A definição de magia (“mudar a realidade sob vontade” – neste aforismo não podemos negar que a bichola foi genial) resulta no simples fato de que todo mundo no mundo é mago. Meio difícil de descer pela goela isso, mas basta pensarmos um pouco. Em etapas, em honra da didática:
1) Qualquer pessoa pode, a qualquer momento, exercer vontade própria, também conhecida como livre arbítrio. A existência efetiva de Vontade pode ser mesmo questionada, mas esta discussão não cabe aqui. Caso contrário nem começaríamos este texto.
2) Todo e qualquer movimento, seja ele de natureza física, psicológica ou espiritual, provoca uma reação em cadeia em todo o universo, resultando em alteração da realidade. Isto não é nenhuma novidade, a Teoria do Caos foi captada antes de você nascer.
3) Unindo os argumentos 1 e 2, você descobre que, de repente, se você levantar o braço, CAPUFT!, você acaba de fazer magia. Respirou mais fundo de susto? Shazam! Você é um mago. E assim acontece com todas as pessoas ao redor do globo.
Portanto, mago qualquer um é. Agora, ser um bom Mago é uma outra história. Ser um bom Mago significa medir seus atos, todos eles, de forma que provoque resultados. A realidade é uma espécie de geléia plasmática que vai se solidificando à medida que você se move sobre ela. Cada ato seu emitirá uma mensagem. E aí reside a diferença entre o Mago, 0,0001% da população mundial, e o mago, o resto do mundo. Enquanto o mago emite uma mensagem, o Mago emite uma ordem. Ele está consciente de seus atos. Qualquer pessoa pode ter vislumbres de Magia quando se atenta às suas ações em busca de resultados. Se você estudou bastante para o concurso de fiscal e passou, acredite, você fez uma magia e tanto. Se você passou dois anos suando em academias para atrair mulheres e hoje é modelo de passarela, entenda, você realizou diariamente os rituais corretos. Quanto mais você regrar sua vida em direção aos resultados que você deseja, mais poderoso você se tornará. Por isso, os maiores magos da história, em minha modesta opinião, são, em ordem aleatória: Alexandre, o Grande (este é imbatível, o cara virou Deus em três culturas diferentes), Paulo de Tarso (em termos de modificar a realidade, Jesus é pinto perto dele), Newton, Kepler, Galileu, Einstein, Lênin, Che Guevara, Napoleão Bonaparte, Friedrich Wilhelm Nietzsche, Adolf Hitler , Sócrates, Platão, Bill Gates, Fidel Castro, Alfred Kinsey, Wilhelm Reich (ainda teremos que esperar um pouco para visualizar melhor o resultado de sua obra) e Luís Inácio Lula da Silva (vai tentar virar presidente sendo pião para ver o quanto de maracut…ops, quer dizer, o quanto de magia vai ter que fazer).
Muitos irão questionar: mas você não citou Jesus, Sidarta, Krishna, Osho, Papus, Éliphas Lévi, Austin Osman Spare, nem mesmo nossa mocinha querida, Aleister Crowley, você citou! Reparem, estamos falando de alterar a realidade. Estamos falando do mundo “real”, estamos falando de Magia e não de Misticismo. Todos estes homens foram grandes místicos, mas é certo que a real intenção deles não era pelo mundo humano, não era “salvar a humanidade” e torná-la “correta”. Quem diz isso são seus precursores, vide Paulo de Tarso. Se repararem bem, quem transforma o mundo são os pregadores e não os reais ícones religiosos. Mesmo alguns dos citados magos, ao chegarem em pontos avançados de suas carreiras, acabaram por desistir do homem para lutar pelo universo. A leitura de “Escuta Zé, Ninguém” de Wilhelm Reich será bem instrutiva neste ponto. E também não estou querendo fazer predileções entre um ou outro. Ou você usa a energia do universo para crescer horizontalmente (Magia) ou verticalmente (Misticismo). Eu mesmo estou mais inclinado para o lado do segundo, apesar de, como todo brasileiro do século XXI, ainda ser louco de vontade de ficar milionário, famoso e construir meu arem próprio. Nada mais natural.
Como eu ia dizendo, tem muita gente aí querendo ser um grande Mago. E o que vejo é que a maioria deles ou sucumbe logo no início (aqueles sem disciplina que não merecem muita atenção) ou acaba se empolgando com a capacidade de realização e acaba ficando preso a coisas pequenas sem nunca realizar algo realmente grande. Esta é uma percepção uma tanto lógica das coisas. Se você não aprender a sofrer, nunca vai aprender a gozar. O problema e a principal cilada para os Magistas é a enorme tentação de resolver todos os seus problemas por métodos mágicos. É tudo uma questão de foco e hierarquia de desejos. Se você faz rituais para ficar rico e seu tio milionário ficar doente de uma hora para outra, não seja burro de tentar fazer uma magia de cura para ele! Se você quer tempo para terminar a sua tese de doutorado, não reclame quando cair de moto e quebrar a sua perna (este é um caso verídico de um antigo professor meu). E por aí vai. Para realizar algo grande, o Mago precisa direcionar toda a sua vida em direção ao seu objetivo, porque coisas grandes requerem muita energia e você não pode desperdiçá-la atraindo novas namoradas ou para se curar de um resfriado. Tenha sempre em mente: seu grande objetivo já guia seus movimentos. Se a doença vem, aceite-a e questione-se aonde ela pode te levar. Não perca o foco no seu objetivo final, sua força reside nele e todos os acontecimentos de sua vida estão te levando a ele.
É claro, você ainda pode argumentar que não deseja realizar nada grande. Melhor isso do que simplesmente não saber o que se quer. Porém, saiba que os maiores êxtases e experiências divinas estão reservados para aqueles que superaram as provações e abraçaram seu sofrimento como parte fundamental do caminho. E isto, definitivamente, não é nenhuma metáfora esotérica.
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4 comentários (clique para comentar)Sobre Magia Sexual
Não posso negar que a primeira coisa que me atraiu para magia sexual foi a possibilidade de surpreender as menininhas com ereções vigorosas e orgasmos prolongados. Afinal, sexo é uma das naturais obsessões humanas. Lembro-me bem de um filme, cujo nome não lembro, onde um dos personagens esbravejava: “Se um a cada dez homens fizesse sexo como eu, não haveria mais guerras no mundo!”. Isto, nos ouvidos de um adolescente, fez como um doce faz a uma criança. E assim foi meu primeiro contato com sex magick.
Comecei a pesquisar os sistemas de consecução sexo-mágicos e levei o estudo a sério. Eu realmente acreditava que isto me tornaria um ás na cama. E, para SUA surpresa, realmente tornou. Se você achou que este artigo seria mais um daqueles manuais pseudopuritanos, você está redondamente enganado. Eu estou aqui para levantar a bandeira de que magia sexual é extremamente prazeroso e, caso você seja esperto para realmente avançar no sistema e não se perder nas divagações filosóficas sobre as possibilidades do processo, você vai conseguir conquistar uma real proficiência pornográfica. Escrevo aqui para incentivar os estudiosos avançados e mesmo os leigos a parar de tentar disfarçar a magia sexual em um ranço asqueroso de preconceito, deboche e insegurança que ainda paira no ar quando se fala no assunto.
Adotando uma perspectiva tântrica, onde o sistema se dá com o controle da energia sexual para a elevação da kundalini, você verá que a procura por mais prazer no ato é a chave central. Porém que fique claro que isto é bem diferente da busca por mais prazeres iguais e consecutivos. Se assim o fosse, o N.A. (Ninfomaníacos Anônimos) estaria repleto de magos. Trata-se, antes, de buscar por mais prazer numa intensidade maior. Neste ponto, o Livro da Lei de Aleister Crowley é preciso: “A sabedoria diz: sê forte! Então poderás suportar mais gozo. Não sejas animal; refina teu arrebatamento!”. Em outras palavras mais simples: treina seu corpo para conseguir absorver mais prazer. Elevar a kundalini requer um constante e fanático desejo por mais. Um desejo tão forte e obsessivo que deve superar o condicionamento animal e mecânico de findar o ato com um orgasmo final. Desejando loucamente sempre mais, você consegue desviar a energia para centros mais sutis de prazer e obter delícias outras.
Obviamente, atingir índices mais elevados de prazer significa fornecer, mesmo que de forma indireta, maior quantidade de volúpia à sua parceira(o). Como disse antes, o praticante inteligente vai saber usar isso a seu favor sem se emaranhar em preocupações sobre a habilidade no ato. Isto permitirá novas conquistas e sucessos amorosos. Sabiamente, o real praticante vê sempre a possibilidade de mais e a cada novo intercurso busca uma nova habilidade e um novo avanço. O mago sexual é quase como um esportista. Possui um treinamento regular e armazena sua capacidade para a exacerbação total no dia de um grande evento. E para se tornar um bom esportista é preciso treinar muito. Ou seja, um bom mago sexual é alguém que trepa ou se masturba com intensa regularidade. É como matemática: você pode conhecer todos os números, mas só aprende a contar contando.
Portanto, se quer se envolver com sex magick, vá trepar! Organize surubas, orgias e conclaves sexuais. Faça propostas, convença pessoas, leve-as pra cama, liberte-as. E, em meio a tudo isso, abdique de pequenos prazeres e pequenas mortes para fazer contato com o sublime, ver a face de deus e conhecer a verdadeira morte iluminadora onde o vazio pode ser preenchido com a “idéia fértil”, a real magia.
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5 comentários (clique para comentar)A possibilidade onírica
A possibilidade onírica, se encarada sobre um viés sóbrio, leva a duas possibilidades igualmente desconcertantes que nos fazem parar e refletir sob nossa atitude e nosso ethos perante aquilo que normalmente chamamos de realidade. Se admito que o sonho é completamente construído pela mente, como uma viagem solitária e alegórica por sobre nossas volições, representações e impressões tanto superficiais quanto profundas, se creio que tudo que se passa lá é sempre criação incessante da mente num fluir livre pela imaginação admitindo as possibilidades mais absurdas, se considero assim, preciso enxergar que todos aqueles que falam em meu sonho, todos os personagens que se mostram sempre numa posição do outro não são outros senão eu mesmo. Todas as vozes são minhas, mas deslocadas de tal maneira que me fazem apreender que é o outro quem diz. Tudo em sonho é sempre eu mesmo e criação individual. Ora, mas enquanto sonhamos não se trata sempre de realidade que só perde esse estatus mediante uma possibilidade de comparação com a outra realidade que existiria efetivamente quando estamos acordados? Não está o suposto louco admitindo a realidade última de devaneios oníricos? O sonho como criação individual é a prova cabal de que aquilo que chamamos realidade não tem possibilidade de ser o absoluto atestar de que é ela mesma a mais verdadeira e real ou algo dessa jurisdição. De forma que posso questionar na mais pura lucidez carregando até mesmo ainda um quê daquele espírito duvidoso, vesgo e visivelmente produtivo da ciência: Quem é esse eu que experimenta o mundo agora? Quem é esse outro com quem interajo? O que há de mim em todas as coisas que percebo e tomo como real? Não seria a minha noção de eu e individualidade tão enviesada e baseada numa percepção tosca e não abrangente como olhar para o mar e dizer que a Terra é necessariamente plana porque assim o percebo, ou dizer que os astros giram em torno da Terra por que isso seria o mais óbvio a se observar? A possibilidade de todos sermos um só e por hora nos manter como que sonâmbulos num existir ilusório e desconexo deixa de ser apenas devaneio religioso para se tornar campo de estudo, tentando descobrir até que ponto, como nos sonhos, podemos refinar nossa vontade e depositá-la de forma mais contundente e soberana possível, sendo capaz de escolha efetiva em eventos antes não imaginados, propiciando zonas de possibilidades totalmente novas e revolucionárias. Agora, se tomo uma perspectiva oposta, a de que no sonho viajo por uma outra forma de espaço-tempo ou mesmo não-espaço-tempo e me encontro com outros seres e interajo efetivamente com eles, sou obrigado a perceber um ainda mais direto campo de estudo igualmente novo e com possibilidades igualmente revolucionárias. Nada haveria que não pudesse existir. Dragões, minotauros, gigantes, lobisomens e monstros dos mais terríveis teriam seu lugar, mesmo que ainda não exatamente detectado, de efetividade e produção. Nesse modo de pensar as coisas, sonhos seriam janelas para outras dimensões que não podem ser percebidas pela rotineira e cotidiana apreensão dos sentidos. Em ambos os modos de encarar a possibilidade onírica, irrevogavelmente, temos que repensar a realidade em outra perspectiva.
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Nenhum comentário (clique para comentar)O Caô do Caos
A princípio, atentem para o seguinte: não é minha intenção definir o Caos, mas extravasar como se comporta, no efetivo do agora, a minha maneira peculiar de acessar o paradigma caótico.
Apresentemos o axioma básico: “Nada é Verdadeiro. Tudo é Permitido”. Sem querer entrar no mérito da autoria de tão pragmático provérbio, observo as conseqüências lógicas imediatas que a aplicação orgânica desta chave provoca. Se nada é verdadeiro, é fato que o conjunto matemático das verdades é representado por um conjunto vazio. Isto está óbvio. O que normalmente não salta aos olhos é o fato de que o conjunto matemático de mentiras está também necessariamente vazio, ausente de conteúdo. Porque para cada mentira é necessária a existência de uma verdade, já que a natureza de nossa cognição filosófica é dual. Disto podemos concluir que se nada é verdadeiro, nada é mentiroso e disso que nada existe, já que para existir é preciso ser verdadeiro ou estar contra uma verdade. Fora isso você está planando no limbo das impossibilidades, aquilo que nem é nem não é. Seguindo o raciocínio, a primeira parte do axioma se desdobra então em quatro facetas idênticas: Nada é Verdadeiro = Nada é Mentiroso = Tudo é Verdadeiro = Tudo é Mentiroso. O mesmo processo, sem mais delongas, se aplica à segunda parte: se Tudo é Permitido, então Tudo é Restrito e Nada é Permitido e Nada é Restrito. Enfim, nada = tudo = nada.
Aqui chegamos, sem muito esforço, à fatídica conclusão de que o axioma caótico é uma farsa e não serve para porra nenhuma a não ser embelezar nossos sentimentos de pertencer a alguma casta, tribo ou a um grupo de pensamento similar qualquer. E isto, salvo raras exceções (quem procura acha!), é o que vemos abundar por aí: meninos e meninas pós-adolescentes, cheios de vida no peito e loucos por um lugar para depositar sua insegura insegurança. Prenhes de idéias sobre a queda dos dogmas e a liberdade do indivíduo, mas trepidantes e coxos perante as próprias reviravoltas hormonais e os jogos macabros que a realidade nos convida a participar dia após dia.
Desta penumbra jovial, eu prefiro manter distância. Principalmente porque ela se baseia em um conceito infantil de liberdade, onde estar livre é fazer o que der na cabeça. Só mesmo o tempo pode mostrar que liberdade é mais uma questão interna que externa, e que a ausência de parâmetros para construir o solo filosófico não é a razão para destruir tudo, mas, ao contrário, a razão para procurar o máximo da produtividade sob vontade.
Caos, portanto, é um grande Caô como qualquer teoria, sempre pronta a mostrar seu furo ontológico perante a Teoria da Incompletude de Gödel. Contudo, a beleza do paradigma reside no fato dele mesmo não proclamar nenhuma posição. Dizendo apenas que nada é igual a tudo e vice-versa, a proposta do Caos, mais do que apresentar novos sistemas de produção, é permitir uma postura sóbria sobre qualquer sistema que houver, seja ele novo ou velho, secreto ou público, sagrado ou laico. Descobrir o que há de interessante em qualquer ponto de vista e utilizar estes dados em prol da produtividade. Uma ambição sem igual (mesmo que intrínseca e reconhecidamente frustrada) em depositar o princípio da individualidade no limbo da impossibilidade e observar o universo com isenção. Este é o Caô do Caos e a minha maneira de interpretar esta poderosa chave mágica.
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Nenhum comentário (clique para comentar)A Magia Sexual e suas metas
O termo magia sexual foi cunhado para designar qualquer processo que utilize a gnose obtida através do sexo para atingir objetivos mágicos. Isto significa que magia sexual é um termo amplo que engloba uma série de processos que utilizam um meio comum para cumprir suas metas. Para simplificar, podemos usar o esquema de Dave Lee e dividir a magia sexual em três tipos principais, em termos de seus objetivos. A Feitiçaria Prática, que é utilizada para carregar sigilos e dar origem a servidores em geral; a Invocação, assunção de formas-deus; e o Recondicionamento; que busca a liberação das chamadas couraças energéticas.
O primeiro formato é o mais simples. No momento do orgasmo (o que não significa necessariamente ejaculação), o magista utiliza o vazio obtido para alcançar camadas de seu subconsciente e dar-lhe ordens. O método da sigilização é o mais conhecido, onde figuras pictóricas contendo a mensagem de forma subliminar são visualizadas no momento da gnose. Este é o único método que admite a famosa rapidinha, pois um magista treinado pode obter um orgasmo instantâneo mesmo sem estimulação física, assim como qualquer emoção forte. Contudo, a maioria dos magistas irá concordar que para alcançar camadas mais profundas do subconsciente (as quais são obviamente mais poderosas) e romper paradigmas consensuais mais radicais, é necessário obter estados mais fortes de êxtase, para que o vazio derrube barreiras mais arraigadas do ego. Em geral, a proficiência de um adepto pode ser medida pela profundidade alcançada com seu êxtase e a rapidez com que ele consegue atingi-lo. Fazer magia para conseguir um emprego e atingir êxito pode ser comum, mas magias instantâneas, como derrubar homens em meio a uma luta ou invocar tempestades ao bel prazer é feito para pouquíssimas pessoas na face da Terra.
Na Invocação, o magista utiliza o êxtase prolongado para invocar deuses em seu próprio corpo. Este talvez seja o processo mais interessante em termos do ato, pois quem já sentiu o poder e o êxtase apocalíptico advindo da encarnação de um deus sabe que isto pode mesmo derrubar o interesse do magista por outras formas de magia. O processo se dá através de visualizações, mantras e posturas, cada deus possuindo uma metodologia própria. As ordens esotéricas geralmente guardam estas informações a sete chaves pelo grande poder que elas podem fornecer. As formas-deus geralmente vêm carregadas por toda a energia da egrégora que elas dominam. Entretanto, resultados realmente satisfatórios podem ser obtidos com a criação de “divindades próprias”. Experimente elaborar um mito, dar-lhe uma história e um contexto, além de bolar suas próprias técnicas secretas. Teste em si mesmo e veja os resultados.
O último formato, o Recondicionamento, é o mais belo e ao mesmo tempo o mais pragmático. Ele utiliza o conceito de couraças energéticas criado por Wilhelm Reich. Segundo Reich, nosso corpo e nossa mente estão intimamente ligados, de forma que nossos comportamentos e formatações sociais estão incrustados em nossa musculatura como “armaduras” energéticas, o que impediria tanto nosso livre movimento físico quanto nosso livre pensamento. Muitas das terapias inspiradas na teoria reichiana utilizam metodologias corpóreas no tratamento, como é o caso da somaterapia, que dá aulas de capoeira angola durante o processo. A magia sexual do Recondicionamento vai utilizar o êxtase múltiplo do sexo prolongado para romper estas barreiras e promover novos comportamentos mais libertários. A primeira coisa a saber para praticar Recondicionamento é que os orgasmos não acontecem apenas no órgão sexual. As barreiras energéticas estão por todo o corpo e é necessário adquirir a técnica de espalhar o êxtase. Os orgasmos no coração são os mais deliciosos (mas não acredite em mim, teste em você mesmo!). Magistas que vão fundo em recondicionamento acabam se tornando seres “pestilentos”, pois seus comportamentos e ciclos energéticos vão adquirindo um aspecto cada vez mais todo-permissivo e não-condenante, contaminando os que vivem próximos com o vírus da liberdade. Os preconceitos simplesmente caem.
Enfim, existem mil maneiras de preparar neston, invente uma. Apenas lembre-se sempre de que o objetivo é se divertir e levar a vida na boa. Caso se sinta dominado por algo, fuja, faça um banimento! Eu fiquei preso pelo paradigma da total não-ejaculação por um bom tempo. Isto me foi bastante útil para elevar meus centros energéticos, mas, após esgotar as possibilidades, fiquei preso numa miríade de autocondenações quase cristã. Livrei-me disto com a leitura de novos livros, simples assim. Não tenha medo, mas não seja burro! E o que conseguir de interessante, conte-me.
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Nenhum comentário (clique para comentar)A consecução mágica em seis tópicos
Esta possibilidade de verdadeira vontade, nossa crença mais basal, requer algumas premissas básicas cujas admissões são fundamentais para que se construa um sistema o mais ontologicamente livre possível. A saber:
1) Absoluto niilismo como verdade primeira. Uma vontade realmente livre e divinamente criativa está para além de qualquer conceito que possa restringir a “realidade” de alguma maneira.
2) Um hedonismo exacerbado perceptível apenas para esta individualidade. Ou seja, é preciso se postular também a possibilidade de um prazer que esteja metaparadigmaticamente para fora de sua própria criação. O prazer para tal individualidade é atingido sempre no ato da criação, e não nos simples estados duais de que a criação é capaz. Há uma implícita diversão em nossa religiosidade e isto é algo muito simples de se perceber. Pois se cremos na possibilidade da existência de um indivíduo, de alguém que realmente possa escolher o que faz sem sofrer a determinante influência de fatores externos qualquer que sejam eles, se cremos nisso, é porque admitimos de pronto que tal individualidade escolhe por pura brincadeira criativa, sem motivos, causas nem efeitos, fazendo tal qual uma criança, criando sensações apenas pelas sensações.
3) Absoluta percepção de que a criação é uma ferramenta para tal hedonismo e não é, de nenhuma forma, a individualidade em si. Premissa essa que resulta na parte mais prática de nossa filosofia: Magick.
Com estas premissas postuladas podemos determinar nosso objetivo mais central e suas conseqüentes formas:
1) A grande meta é ser capaz de tornar-se um Deus criador capaz de Vontade absoluta e desaparecer para sempre na criação de seu próprio universo.
2) Desenvolvimento máximo da habilidade divina, a Criação. A qual começa no âmbito microscópico com a manipulação da personalidade e das crenças básicas. É mister desenvolver a habilidade de crer nos mais variados sistemas filosóficos, científicos e religiosos e, isto sendo o fator mais importante, conseguir os benefícios e a bela movença que a crença pode proporcionar. É preciso ser cristão e obter milagres com as preces, ser científico e realizar novas descobertas, ser budista e eliminar o sofrimento, ser Nietzschiano e tornar-se um super-homem, ser platônico e transpassar o mundo das sombras, ser aristotélico e conhecer a verdade, ser Thelemita e tornar-se um deus.
3) Disto surge a necessidade de Magick, a habilidade de gnose sob controle. Pois Gnose é o modo de se atingir o ponto zero, onde a fisiologia não mais restringe o surgimento de criação espontânea. Cada individualidade deve encontrar o método de gnose que mais seja eficaz para burlar sua fisiologia. Não há restrições. Os métodos são inúmeros, mas geralmente o ponto-zero só é realmente atingido por uma técnica criada especificamente para uma dada individualidade por ela mesma. Os registros de técnicas eficientes são apenas base para o estudo onde possa haver o desenvolvimento da técnica própria. Os caminhos percorridos só levam a lugares já visitados e isto não é o que faz o Deus criador. Não há diversão em paisagens velhas.
Some a isto coragem, disciplina e determinação infernal.
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Nenhum comentário (clique para comentar)A IOT não tem professores
A I.O.T. segue um parâmetro similar de admissão no mundo todo, que é a prática de líber MMM por seis meses. Este é um portal para separar a qualidade dos interessados, levando-se em conta que a I.O.T. é uma sociedade mágica que não tece uma ponte aos candidatos diretamente, o processo é inverso.
Quando neste processo o interesse parte de uma Ordem ou de pessoas em relação ao candidato, isto técnicamente passa a ter um caráter obscuro ou religioso.
Aquele que é “chamado” à Grande Obra não deve esperar que Alguém ou Algo o auxilie ou o conduza, pois aqueles que iniciaram o movimento denominado Chaos Magick não deixam uma seqüência de monografias ou Libri sagrados. O que existe são depoimentos de experiências práticas de magistas, que podem ser acessados através de livros e documentos. Porém, muitos têm preguiça de acessar tais materiais em inglês, ou desconhece que tal material abunda na internet.
O que o Pacto oferece é algo diferente, é uma sociedade mágica onde existem especialistas práticos de diversos paradigmas: O.T.O., Satanismo, Shamanismo, etc, que estão interessados em TROCAR experiências. O que, obviamente, segue um parâmetro natural de que ao chegar ao Pacto o candidato tenha mais a receber do que dar. A experiência internacional é muito interessante, pois a convivência prática com indivíduos que estão ligados a diversos paradigmas originais, até mesmo nos países onde se originaram, é muito enriquecedora. Adicione a isto que a I.O.T. prima pela prática.
A compaixão é um sentimento ilusório e ofensivo à natureza real do homem. Portanto, cuidado com aqueles que desejam seu crescimento sem nada pedir em troca ou que oferecem conhecimento por procuração.
Fr. G. - IOT Sul-América
1 comentário (clique para comentar)A Não definição de Magia do Caos e o Pacto IOT
Talvez seja inútil ou perda de tempo buscar definição para Magia do Caos. Este termo é freqüentemente usado apenas por alguns para uma aproximação maior com leigos, ou melhor, mentes que desejam definir magia de alguma forma.
Qualquer um que se dê a liberdade de praticar, livre de preconceitos, qualquer tipo de magia que pessoalmente lhe seja afim, provavelmente é um ser que está mais bem preparado para se livrar dos processos conceitualistas da magia. E aqueles que se sentem desta forma, quer dizer, livres, podem se associar com pessoas mentalmente afins para trocar idéias, práticas, etc.
A intuição das coisas “divinas” desperta certa atividade nos corações e, algumas vezes, o indivíduo movido por uma força dentro de si mesmo busca se unir a uma corrente que se harmonize com sua capacidade de vibração. Por outro lado, a verdadeira fraternidade apresenta sempre seus símbolos, mas sem explicá-los. Não prega nem insiste, limita-se a expor os fatos e deixa que cada um os verifique por si mesmo e tire as suas próprias conclusões.
Daí nasceu a idéia do Pacto - um pequeno grupo de pessoas mentalmente afins que trabalham em conjunto para o crescimento individual e coletivo. Entretanto, o Pacto não é uma escola de magia com livros sagrados, o fato é que aprendemos uns com os outros.
Há um pequeno requisito para admissão ao Pacto que é a prática de Liber MMM por 6 meses, pois assim são testados prioritariamente os primeiros requisitos para qualquer um que postule magia em sua vida - a sua força de vontade, um mínimo de habilidade em concentração e posteriormente confiança - isto é básico em qualquer grupo.
Porém, independente de trabalhar com grupos ou só, saiba que a vida e a magia estão profundamente entrelaçadas e, sendo assim, no transcorrer de ambas percebe-se que tanto uma quanto a outra são estruturas essencialmente pragmáticas. Por isto, os melhores indicadores de resultados mágickos em nossas vidas são as nossas “taxas” de alegria, de sucesso e de realizações.
Respostas para perguntas intelectuais estão espalhadas por toda internet e livros, mas a “verdadeira magia” está em sua vida. E, se você consegue compreender isto, não haverá preocupações com a moralidade, por exemplo, porque o bom senso imperará espontaneamente.
Fr. G. - IOT Sul-América
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