Arquivo de novembro, 2007
A possibilidade onírica
A possibilidade onírica, se encarada sobre um viés sóbrio, leva a duas possibilidades igualmente desconcertantes que nos fazem parar e refletir sob nossa atitude e nosso ethos perante aquilo que normalmente chamamos de realidade. Se admito que o sonho é completamente construído pela mente, como uma viagem solitária e alegórica por sobre nossas volições, representações e impressões tanto superficiais quanto profundas, se creio que tudo que se passa lá é sempre criação incessante da mente num fluir livre pela imaginação admitindo as possibilidades mais absurdas, se considero assim, preciso enxergar que todos aqueles que falam em meu sonho, todos os personagens que se mostram sempre numa posição do outro não são outros senão eu mesmo. Todas as vozes são minhas, mas deslocadas de tal maneira que me fazem apreender que é o outro quem diz. Tudo em sonho é sempre eu mesmo e criação individual. Ora, mas enquanto sonhamos não se trata sempre de realidade que só perde esse estatus mediante uma possibilidade de comparação com a outra realidade que existiria efetivamente quando estamos acordados? Não está o suposto louco admitindo a realidade última de devaneios oníricos? O sonho como criação individual é a prova cabal de que aquilo que chamamos realidade não tem possibilidade de ser o absoluto atestar de que é ela mesma a mais verdadeira e real ou algo dessa jurisdição. De forma que posso questionar na mais pura lucidez carregando até mesmo ainda um quê daquele espírito duvidoso, vesgo e visivelmente produtivo da ciência: Quem é esse eu que experimenta o mundo agora? Quem é esse outro com quem interajo? O que há de mim em todas as coisas que percebo e tomo como real? Não seria a minha noção de eu e individualidade tão enviesada e baseada numa percepção tosca e não abrangente como olhar para o mar e dizer que a Terra é necessariamente plana porque assim o percebo, ou dizer que os astros giram em torno da Terra por que isso seria o mais óbvio a se observar? A possibilidade de todos sermos um só e por hora nos manter como que sonâmbulos num existir ilusório e desconexo deixa de ser apenas devaneio religioso para se tornar campo de estudo, tentando descobrir até que ponto, como nos sonhos, podemos refinar nossa vontade e depositá-la de forma mais contundente e soberana possível, sendo capaz de escolha efetiva em eventos antes não imaginados, propiciando zonas de possibilidades totalmente novas e revolucionárias. Agora, se tomo uma perspectiva oposta, a de que no sonho viajo por uma outra forma de espaço-tempo ou mesmo não-espaço-tempo e me encontro com outros seres e interajo efetivamente com eles, sou obrigado a perceber um ainda mais direto campo de estudo igualmente novo e com possibilidades igualmente revolucionárias. Nada haveria que não pudesse existir. Dragões, minotauros, gigantes, lobisomens e monstros dos mais terríveis teriam seu lugar, mesmo que ainda não exatamente detectado, de efetividade e produção. Nesse modo de pensar as coisas, sonhos seriam janelas para outras dimensões que não podem ser percebidas pela rotineira e cotidiana apreensão dos sentidos. Em ambos os modos de encarar a possibilidade onírica, irrevogavelmente, temos que repensar a realidade em outra perspectiva.
AD
Nenhum comentário (clique para comentar)O Caô do Caos
A princípio, atentem para o seguinte: não é minha intenção definir o Caos, mas extravasar como se comporta, no efetivo do agora, a minha maneira peculiar de acessar o paradigma caótico.
Apresentemos o axioma básico: “Nada é Verdadeiro. Tudo é Permitido”. Sem querer entrar no mérito da autoria de tão pragmático provérbio, observo as conseqüências lógicas imediatas que a aplicação orgânica desta chave provoca. Se nada é verdadeiro, é fato que o conjunto matemático das verdades é representado por um conjunto vazio. Isto está óbvio. O que normalmente não salta aos olhos é o fato de que o conjunto matemático de mentiras está também necessariamente vazio, ausente de conteúdo. Porque para cada mentira é necessária a existência de uma verdade, já que a natureza de nossa cognição filosófica é dual. Disto podemos concluir que se nada é verdadeiro, nada é mentiroso e disso que nada existe, já que para existir é preciso ser verdadeiro ou estar contra uma verdade. Fora isso você está planando no limbo das impossibilidades, aquilo que nem é nem não é. Seguindo o raciocínio, a primeira parte do axioma se desdobra então em quatro facetas idênticas: Nada é Verdadeiro = Nada é Mentiroso = Tudo é Verdadeiro = Tudo é Mentiroso. O mesmo processo, sem mais delongas, se aplica à segunda parte: se Tudo é Permitido, então Tudo é Restrito e Nada é Permitido e Nada é Restrito. Enfim, nada = tudo = nada.
Aqui chegamos, sem muito esforço, à fatídica conclusão de que o axioma caótico é uma farsa e não serve para porra nenhuma a não ser embelezar nossos sentimentos de pertencer a alguma casta, tribo ou a um grupo de pensamento similar qualquer. E isto, salvo raras exceções (quem procura acha!), é o que vemos abundar por aí: meninos e meninas pós-adolescentes, cheios de vida no peito e loucos por um lugar para depositar sua insegura insegurança. Prenhes de idéias sobre a queda dos dogmas e a liberdade do indivíduo, mas trepidantes e coxos perante as próprias reviravoltas hormonais e os jogos macabros que a realidade nos convida a participar dia após dia.
Desta penumbra jovial, eu prefiro manter distância. Principalmente porque ela se baseia em um conceito infantil de liberdade, onde estar livre é fazer o que der na cabeça. Só mesmo o tempo pode mostrar que liberdade é mais uma questão interna que externa, e que a ausência de parâmetros para construir o solo filosófico não é a razão para destruir tudo, mas, ao contrário, a razão para procurar o máximo da produtividade sob vontade.
Caos, portanto, é um grande Caô como qualquer teoria, sempre pronta a mostrar seu furo ontológico perante a Teoria da Incompletude de Gödel. Contudo, a beleza do paradigma reside no fato dele mesmo não proclamar nenhuma posição. Dizendo apenas que nada é igual a tudo e vice-versa, a proposta do Caos, mais do que apresentar novos sistemas de produção, é permitir uma postura sóbria sobre qualquer sistema que houver, seja ele novo ou velho, secreto ou público, sagrado ou laico. Descobrir o que há de interessante em qualquer ponto de vista e utilizar estes dados em prol da produtividade. Uma ambição sem igual (mesmo que intrínseca e reconhecidamente frustrada) em depositar o princípio da individualidade no limbo da impossibilidade e observar o universo com isenção. Este é o Caô do Caos e a minha maneira de interpretar esta poderosa chave mágica.
AD
Nenhum comentário (clique para comentar)A Magia Sexual e suas metas
O termo magia sexual foi cunhado para designar qualquer processo que utilize a gnose obtida através do sexo para atingir objetivos mágicos. Isto significa que magia sexual é um termo amplo que engloba uma série de processos que utilizam um meio comum para cumprir suas metas. Para simplificar, podemos usar o esquema de Dave Lee e dividir a magia sexual em três tipos principais, em termos de seus objetivos. A Feitiçaria Prática, que é utilizada para carregar sigilos e dar origem a servidores em geral; a Invocação, assunção de formas-deus; e o Recondicionamento; que busca a liberação das chamadas couraças energéticas.
O primeiro formato é o mais simples. No momento do orgasmo (o que não significa necessariamente ejaculação), o magista utiliza o vazio obtido para alcançar camadas de seu subconsciente e dar-lhe ordens. O método da sigilização é o mais conhecido, onde figuras pictóricas contendo a mensagem de forma subliminar são visualizadas no momento da gnose. Este é o único método que admite a famosa rapidinha, pois um magista treinado pode obter um orgasmo instantâneo mesmo sem estimulação física, assim como qualquer emoção forte. Contudo, a maioria dos magistas irá concordar que para alcançar camadas mais profundas do subconsciente (as quais são obviamente mais poderosas) e romper paradigmas consensuais mais radicais, é necessário obter estados mais fortes de êxtase, para que o vazio derrube barreiras mais arraigadas do ego. Em geral, a proficiência de um adepto pode ser medida pela profundidade alcançada com seu êxtase e a rapidez com que ele consegue atingi-lo. Fazer magia para conseguir um emprego e atingir êxito pode ser comum, mas magias instantâneas, como derrubar homens em meio a uma luta ou invocar tempestades ao bel prazer é feito para pouquíssimas pessoas na face da Terra.
Na Invocação, o magista utiliza o êxtase prolongado para invocar deuses em seu próprio corpo. Este talvez seja o processo mais interessante em termos do ato, pois quem já sentiu o poder e o êxtase apocalíptico advindo da encarnação de um deus sabe que isto pode mesmo derrubar o interesse do magista por outras formas de magia. O processo se dá através de visualizações, mantras e posturas, cada deus possuindo uma metodologia própria. As ordens esotéricas geralmente guardam estas informações a sete chaves pelo grande poder que elas podem fornecer. As formas-deus geralmente vêm carregadas por toda a energia da egrégora que elas dominam. Entretanto, resultados realmente satisfatórios podem ser obtidos com a criação de “divindades próprias”. Experimente elaborar um mito, dar-lhe uma história e um contexto, além de bolar suas próprias técnicas secretas. Teste em si mesmo e veja os resultados.
O último formato, o Recondicionamento, é o mais belo e ao mesmo tempo o mais pragmático. Ele utiliza o conceito de couraças energéticas criado por Wilhelm Reich. Segundo Reich, nosso corpo e nossa mente estão intimamente ligados, de forma que nossos comportamentos e formatações sociais estão incrustados em nossa musculatura como “armaduras” energéticas, o que impediria tanto nosso livre movimento físico quanto nosso livre pensamento. Muitas das terapias inspiradas na teoria reichiana utilizam metodologias corpóreas no tratamento, como é o caso da somaterapia, que dá aulas de capoeira angola durante o processo. A magia sexual do Recondicionamento vai utilizar o êxtase múltiplo do sexo prolongado para romper estas barreiras e promover novos comportamentos mais libertários. A primeira coisa a saber para praticar Recondicionamento é que os orgasmos não acontecem apenas no órgão sexual. As barreiras energéticas estão por todo o corpo e é necessário adquirir a técnica de espalhar o êxtase. Os orgasmos no coração são os mais deliciosos (mas não acredite em mim, teste em você mesmo!). Magistas que vão fundo em recondicionamento acabam se tornando seres “pestilentos”, pois seus comportamentos e ciclos energéticos vão adquirindo um aspecto cada vez mais todo-permissivo e não-condenante, contaminando os que vivem próximos com o vírus da liberdade. Os preconceitos simplesmente caem.
Enfim, existem mil maneiras de preparar neston, invente uma. Apenas lembre-se sempre de que o objetivo é se divertir e levar a vida na boa. Caso se sinta dominado por algo, fuja, faça um banimento! Eu fiquei preso pelo paradigma da total não-ejaculação por um bom tempo. Isto me foi bastante útil para elevar meus centros energéticos, mas, após esgotar as possibilidades, fiquei preso numa miríade de autocondenações quase cristã. Livrei-me disto com a leitura de novos livros, simples assim. Não tenha medo, mas não seja burro! E o que conseguir de interessante, conte-me.
AD
Nenhum comentário (clique para comentar)A consecução mágica em seis tópicos
Esta possibilidade de verdadeira vontade, nossa crença mais basal, requer algumas premissas básicas cujas admissões são fundamentais para que se construa um sistema o mais ontologicamente livre possível. A saber:
1) Absoluto niilismo como verdade primeira. Uma vontade realmente livre e divinamente criativa está para além de qualquer conceito que possa restringir a “realidade” de alguma maneira.
2) Um hedonismo exacerbado perceptível apenas para esta individualidade. Ou seja, é preciso se postular também a possibilidade de um prazer que esteja metaparadigmaticamente para fora de sua própria criação. O prazer para tal individualidade é atingido sempre no ato da criação, e não nos simples estados duais de que a criação é capaz. Há uma implícita diversão em nossa religiosidade e isto é algo muito simples de se perceber. Pois se cremos na possibilidade da existência de um indivíduo, de alguém que realmente possa escolher o que faz sem sofrer a determinante influência de fatores externos qualquer que sejam eles, se cremos nisso, é porque admitimos de pronto que tal individualidade escolhe por pura brincadeira criativa, sem motivos, causas nem efeitos, fazendo tal qual uma criança, criando sensações apenas pelas sensações.
3) Absoluta percepção de que a criação é uma ferramenta para tal hedonismo e não é, de nenhuma forma, a individualidade em si. Premissa essa que resulta na parte mais prática de nossa filosofia: Magick.
Com estas premissas postuladas podemos determinar nosso objetivo mais central e suas conseqüentes formas:
1) A grande meta é ser capaz de tornar-se um Deus criador capaz de Vontade absoluta e desaparecer para sempre na criação de seu próprio universo.
2) Desenvolvimento máximo da habilidade divina, a Criação. A qual começa no âmbito microscópico com a manipulação da personalidade e das crenças básicas. É mister desenvolver a habilidade de crer nos mais variados sistemas filosóficos, científicos e religiosos e, isto sendo o fator mais importante, conseguir os benefícios e a bela movença que a crença pode proporcionar. É preciso ser cristão e obter milagres com as preces, ser científico e realizar novas descobertas, ser budista e eliminar o sofrimento, ser Nietzschiano e tornar-se um super-homem, ser platônico e transpassar o mundo das sombras, ser aristotélico e conhecer a verdade, ser Thelemita e tornar-se um deus.
3) Disto surge a necessidade de Magick, a habilidade de gnose sob controle. Pois Gnose é o modo de se atingir o ponto zero, onde a fisiologia não mais restringe o surgimento de criação espontânea. Cada individualidade deve encontrar o método de gnose que mais seja eficaz para burlar sua fisiologia. Não há restrições. Os métodos são inúmeros, mas geralmente o ponto-zero só é realmente atingido por uma técnica criada especificamente para uma dada individualidade por ela mesma. Os registros de técnicas eficientes são apenas base para o estudo onde possa haver o desenvolvimento da técnica própria. Os caminhos percorridos só levam a lugares já visitados e isto não é o que faz o Deus criador. Não há diversão em paisagens velhas.
Some a isto coragem, disciplina e determinação infernal.
AD
Nenhum comentário (clique para comentar)A postura da morte e a nova sexualidade
Desde tempos imemoriais, a partir do culto místico à múmia no Antigo Egito até o ritual da assunção de formas divinas praticado na Aurora Dourada (Golden Dawn), quando o Adepto Chefe (Sumo Sacerdote) simulava o papel de Christian Rosenkreutz e se deitava no túmulo (pastos), pronto para a ressurreição, o conceito de morte tem sido inseparável do de sexo.
A ilustração intitulada “A Postura da Morte”, que forma o fronstispício do “Livro do Prazer”, de Austin Osman Spare, contém, numa forma alegórica, a doutrina completa da Nova Sexualidade.
A figura de Zos (o nome Zos não apenas é o nome mágico de Austin Osman Spare, como ele também considera no “Livro do Prazer” que “o corpo considerado como um todo eu o chamo de Zos”) está sentada à uma mesa circular repleta de imagens estranhas. Sua mão direita está pousada em seu rosto, selando a boca e impedindo o fluxo de ar (força vital) através das narinas; seus olhos se concentram com intensidade fixa em VOCÊ - a testemunha. Com sua mão esquerda ele escreve os caracteres místicos que materializam seus desejos sob a forma de “sigilos”. A identidade da mão com a serpente (isto é, phallus) é inequívoca. Ao redor desta figura, encontram-se as inumeráveis imagens de desejos passados, disfarçados sob formas humanas ou bestiais, elementares ou incomuns, algumas delas transfixadas pelo metal do ódio, outras elevadas pela sua mão direita ao local do amor, outras tantas em atitudes de entrega feliz, contemplativa ou sedutora, uma outra brilha através duma máscara impenetrável de êxtase interior, transcendendo a dualidade por um tipo de prazer além da compreensão. Diante de Zos, acima dele e à sua esquerda, encontram-se os crânios dos mortos. O crânio, emblema da morte, está colocado em lugar de destaque, envolto em seus cabelos desalinhados. A idéia é a de que a morte domina o pensamento ou, mais exatamente, todo pensamento é morto, totalmente nulo, e um nada intensamente hipnótico emana de seus olhos fixos no além; e, sob estes olhos, a mão sustenta a cabeça da mesma forma que um pedestal a um cálice.
Os dois instrumentos mágicos, o Olho e a Mão, estão submissos à morte; eles cumpriram seu objetivo único e encontraram a apoteose na aniquilação. Nenhuma respiração (princípio vital, prana) faz com que as formas imóveis à sua volta se mexam. Está implícito um estado de suspensão animada que simula a Morte (qhe, thané). A Morte ou thané é o motto (nome mágico ou iniciático) de Zos (Austin Osman Spare), cujo nome mágico completo era Zos vel Thanatos. Ele diz, em seu “Inferno Terrestre” escrito em 1905, que “a Morte é Tudo”.
Todas as religiões e cultos mágicos da antiguidade enfatizavam a idéia de morte, que era interpretada como um nascimento num outro plano da existência. Túmulo e útero eram termos intercambiáveis que denotavam as idas e vindas do ego em vários níveis ou planos da realidade, com o objetivo de fazer cumprir as leis do karma decretado pelo destino. A Morte é “a vinda daquilo que foi reprimido; o tornar-se pelo ir além, a grande chance: uma aventura na Vontade que se traduz no corpo”. Esta é a chave para a Postura da Morte, na verdade uma impostura, uma simulação de morte com o objetivo de permitir que o sonho reprimido emerja e se corporifique, se transforme em realidade.
Entretanto, a Postura da Morte é mais que uma simulação ritual da Morte, do mesmo modo que no ritual supremo da Maçonaria há (ou deveria haver) uma verdadeira ressurreição nascida da ressurreição teatral ensaiada com o objetivo de externar a verdade interior.
No “Alfabeto dos Símbolos Sensoriais” que Spare idealizou para formar a base de sua Linguagem do Desejo, um símbolo representa o Ego, ou princípio da dualidade, enquanto outro representa a “Postura da Morte”, a dissolução da dualidade no estado sem forma da Consciência Absoluta.
A “sensação preliminar” da Postura da Morte (conforme “O Livro do Prazer”) é um ótimo exemplo da habilidade de Spare de “visualizar a sensação”. A figura está curvada sobre si mesma num “estado de graça” de concentração interior e a “Estrela da Vontade” brilha em seu coração nas suas seis cores; a mão direita cinge uma arma invisível. A mão simboliza a Vontade Criativa e os Olhos, que simbolizam tanto desejo quanto imaginação, estão fechados ou cobertos. É fácil interpretar a gravura em questão como significativa de um intenso poder preso dentro do corpo que será liberado através de uma explosão que tomará uma forma desejada. É através da união entre vida e morte, entre a corrente ativa da Vontade e a corrente passiva da Imaginação, a união de Mão e Olho, que nasce o conceito da Nova Sexualidade. A compreensão plena da Postura da Morte leva à plena compreensão da sexualidade primal, irrestrita e “nova” (no sentido de “revigorante”).
Spare descreve a Postura da Morte como “uma simulação da morte através da negação absoluta do pensamento, isto é, a prevenção da transformação do desejo em crença manipulada por aquele, e a canalização de toda a consciência através da sexualidade”. “Pela Postura da Morte, permitimos que o corpo se manifeste espontâneamente, impedindo a ação arbitrária, causada pelo pensamento. Só os que estão inconscientes de suas ações têm coragem para ir além do bem e do mal, em sua sabedoria pura de sono profundo”.
Para se assumir corretamente esta postura é necessário “re-lembrar-se” (em inglês, um jogo de palavras com re-member, isto é, lembrar-se para transformar outra vez em membro ou parte integrante) daquela parte distante da memória subconsciente onde o conhecimento se transforma em instinto e, daí, em curso forçado, ou lei. Neste momento, que é o momento da geração do Grande Desejo, a inspiração flui da fonte do sexo, da Deusa primordial que existe no coração da matéria. “A inspiração sempre acontece num instante de esvaziamento da mente e a maioria das grandes descobertas é acidental, acontecendo geralmente após uma exaustão mental”, isto é, quando o “conhecimento” consciente foi descartado e a percepção puramente instintiva tomou o seu lugar.
A Postura da Morte é o somatório de quatro gestos (mudras) principais que constituem os sortilégios mágicos de Zos. Vontade, Desejo e Crença constituem uma unidade tripartite capaz de estremecer o subconsciente, forçando-o a ceder o seu potencial criativo. Este varia de acordo com a natureza do desejo e da quantidade de crença “livre” que o sigilo contem. Os métodos de energização da crença variam, mas a imaginação sugere o melhor deles. Em outras palavras, seja espontâneo, não dê espaço ao pensamento. Para reificar (transformar em algo real) o sonho ou desejo, Spare utiliza a mão e o olho. A nostalgia intensa faz com que se retorne a remotos caminhos passados e o desejo ardente se mistura com todos os outros, o Ser com o Não-Ser, de modo que um “espírito” familiar há muito esquecido acabe se tornando uma obsessão para a mente consciente; então, e só então, a experiência ancestral é revivida e se corporifica.
A corporificação de entidades mentais “ressuscitadas”, evocadas pelo desejo ardente de se entrar novamente em contato com elas, acaba se tornando “real” tanto para o olho quanto para a mão. Deste modo, o “corpo” é ressuscitado, não como um sonho enevoado, mas palpável ao toque e visível ao olho. “Do Passado chega este novo ser”.
A “ressurreição do corpo” está sempre acontecendo, inclusive no quotidiano, mas é uma ressurreição involuntária, freqüentemente anacrônica e, portanto, indesejada. Através do uso da teurgia auto-erótica de Zos é possível viver todas as “mentiras” e encarnar todos os sonhos agora, neste mesmo instante. No “Grimório Zoético de Zos”, Spare afirma que “a identidade é uma obsessão, um composto de múltiplas personalidades, cada uma delas sabotando a outra; um ego multifacetado, um cemitério ressurgente onde os demiurgos fantasmagóricos buscam em nós a realidade deles”.
Através da Postura da Morte, a nossa consciência sobre algo se identifica com a consciência dos que chamamos de outros; uma qualidade que, em si mesma, é uma não-qualidade, uma vez que ela não é isto nem aquilo. E, pela apreensão de Kia (Ser) como “nem isto, nem aquilo” (neither-neither, ou neti-neti dos budistas), nasce a nova estética ou percepção da sexualidade, que é a nossa percepção individual das coisas vista sob uma nova ótica, que também é a fonte de todas as percepções dos outros que nós freqüentemente “projetamos” como se fossem corpos femininos.
Isto nos leva ao estranho conceito de sexualidade que Spare utilizou como a base de sua teurgia. Todas as mulheres são vistas como formas de nossos desejos; elas são desejos sigilizados e, por causa da qualidade condicionada de nossas crenças, elas estão condicionadas e sujeitas a mudanças, surgindo em nossas mentes como a realidade dos outros que deseja unir-se à nossa realidade. “Feliz é o que absorve estes ‘corpos femininos’ - sempre prjetados - pois ele adquire a percepção da verdadeira extensão de seu próprio corpo”.
Spare não restringe o significado da palavra “corpo” ao corpo físico; se este fosse o caso, não haveria qualquer sentido na sua declaração de que “a Morte é Tudo”, nem na glorificação da simulação de uma condição que decreta o fim do organismo físico. A frase “a verdadeira extensão de seu próprio corpo” envolve a percepção de um estado sensorial do qual o organismo físico é apenas uma reificação ou ressurreição (isto é, nosso próprio corpo é muito mais do que apenas seu limite físico nos faz crer, embora este possa “encarnar” sua verdadeira dimensão através da Postura da Morte). A doutrina de Spare, em última instância, prega a unificação de todos os estados sensoriais em todos os planos simultâneamente, de modo que o ego possa estar plenamente consciente de suas múltiplas entidades e identidades num “aqui” e “agora” que seja eterno. Este é o significado de “adquirir a percepção da verdadeira extensão de seu próprio corpo”.
No “Grimório” ele nos diz que: “nunca estamos completamente conscientes das coisas a não ser pelo influxo do desejo sexual que nos desperta esta percepção”, e a Postura da Morte concentra todas as sensações e as devolve a seu sentido primal, isto é, sexual, que confere ao corpo a percepção total de todos os planos simultâneamente. Sem o conhecimento de como assumir a Postura da Morte, “o ser existe simultâneamente em muitas unidades, sem a consciência de que o Ego é uma só carne. Que miséria maior que esta pode haver?”
No mesmo livro, Spare pergunta: “por que razão ocorre esta perda de memória através destas surpreendentes refrações da imagem original um dia percebida por mim?” A Postura da Morte contém a resposta a esta pergunta, pois, pela união da crença vital (i.e., desejo orgânico) com a vontade dinâmica se chega à “verdadeira extensão de seu próprio corpo”.
Êxtase, auto-amor perfeito (deve-se notar que a expressão ‘Self-love’ em Inglês também é um jogo de palavras com ‘Self’, auto e Ser Superior ou Eu Superior, e ‘love’ amor, significando também “amor pelo Eu Superior” além de ‘auto-amor’) contém sua apoteose na Postura da Morte, pois “quando o êxtase é transcendido pelo êxtase, o ‘Eu’ se torna atmosférico e não há lugar para que objetos sensuais reajam ou criem diferentemente”.
E assim se chega ao ponto focal do Culto de Zos Kia, que é implícito pela sigilização do desejo através de uma figura que não conserva qualquer semelhança gráfica com a natureza do desejo. De modo a escapar do ciclo de renascimentos ou reencarnações, devemos livrar-nos do ciclo transmigratório da crença, pois não devemos acreditar numa determinada coisa por nenhum período de tempo. Assim, através do paciente esvaziamento da energia contida em nossas crenças e pelo direcionamento da nova energia que desta forma é liberada para um auto-amor (Self-love) não-reacionário e sem necessidades, chegamos à negação do karma (causa e efeito) e alcançamos o universo de Kia (o ‘Eu’ Atmosférico).
O verdadeiro autocontrole é conseguido “deixando os acontecimentos em nossas vidas seguirem seu curso natural. Quanto mais interferimos neles, mais nos tornamos identificados com o seu desejo e, portanto, sujeitos a eles.” Esta doutrina se assemelha à filosofia de Advaita Vedanta, ou não-dualidade, embora não sejam exatamente idênticas. Spare acrescenta as seguintes palavras: “enquanto persistir a noção de que existe ‘uma força compulsória’ no mundo, ou mesmo nos sonhos, esta força se torna real. Devemos eliminar as noções de Escravidão e de Liberdade em qualquer situação através da meditação da Liberdade sobre a Liberdade pelo ‘nem isto, nem aquilo’ (neither-neither). E acrescenta: “não há necessidade de crucifixão.”
Desta forma, para se poder apreciar adequadamente a idéia da Nova Sexualidade, é necessário que a mente se dissolva no Kia e que não haja stress na consciência (i.e., pensamento), pois os pensamentos modificam a consciência e criam a ilusão absurda de que o indivíduo ‘possui’ a consciência.
O conceito da Mulher Universal, Aquela com quem Zos “caminhou na senda perfeita”, leva-nos à transcendência da dualidade. Ela é o glifo da polaridade perfeita que, em última instância, nos remete ao Nada. No culto de Crowley ela é Nuit, cuja fórmula mística é 0 = 2. A Consciência Absoluta (Kia, o Eu Superior), como o Espaço Infinito (Nuit), não tem limites; ela é o vazio-pleno, ou vazio fértil, sem forma e sem localização definida, significando coisa alguma, embora ela seja a única Realidade!
Nos recônditos mais ocultos do subconsciente, esta realidade se assemelha ao relâmpago, ou a uma luz faiscante de brilho intenso. Ela é o hieroglifo do desejo potencial, sempre pronta para penetrar numa forma e se transformar na “concretização de nosso último Deus”, i.e., a corporificação de nossa crença mais recente.
Este desejo primal, esta sexualidade ‘nova’ ou imemorial, é o unico sentido verdadeiro. Ele é o fator constante em nossa mutabilidade. Quanto mais este sentido puder ser ampliado de modo a abranger todas as coisas, tanto mais o Eu Superior (Self) poderá realizar-Se, fazer-Se entender, fazer-Se conhecer e, finalmente, ser Ele mesmo, integralmente, eternamente e sem necessidades. “A nova lei será o segredo do provérbio místico ‘nada importa - nada precisa ser’; não existe nenhuma necessidade, que sua crença seja simplesmente ‘viver o prazer’ (a Crença, sempre buscando sua negação, é mantida livre pela sua retenção neste estado de espírito)”. Isto é muito parecido com o credo de Crowley “faze o que queres”, embora haja uma diferença. O Caminho Negativo do Taoísmo e o Caminho Positivo do hinduísmo tradicional se relacionam da mesma forma que o Auto-amor e o Culto de Zos Kia e a Lei de Thelema e “amor sob vontade”.
Para Spare, a mulher simboliza o desejo de se unir com “todas as outras coisas” como Eu Superior (Self); não as manifestações individuais da mulher, mas a mulher primordial ou primitiva da qual todas as mulheres mortais são fragmentos de imagens refletidas. Podemos chamar este conceito inconcebível de sexo, desejo ou emoção; ou ainda, personificá-lo como a Deusa, a Bruxa, a Mulher Primitiva, que é a cifra de toda intertemporalidade, o êxtase alusivo ao caminho do relâmpago que Zos chamava de “o precário caminho do prazer ambulante”. Para adorar a esta mulher primitiva não se pode aprisioná-la numa forma efêmera e limitá-la a isto ou aquilo, mas se deve transcender o isto ou aquilo de todas as coisas e experienciá-la na unidade do auto-amor (Self-love).
Spare não a materializou arbitràriamente como Astarté, Ísis, Cibele ou Nuit (embora ele freqüentemente a desenhasse nestas formas divinas), pois limitá-la é sair do caminho e idealizar o ídolo, o que é falso porque é parcial, e irreal porque não é eterno. “Os possessivos personalizam, idolatram o amor, daí seu despertar mórbido…” (’O Grimório de Zos’). A utilização de tais ídolos não apenas é permitida como desejável, com o objetivo de armazenar crenças livres durante um período inativo ou não-criativo, quando a energia não é necessária. Entretanto, a principal objeção ao uso continuado de ídolos é que ‘o que é familiar nos induz ao cansaço e este nos leva à indiferença; que coisa alguma seja vista desta maneira. Que possamos ver de modo visionário: cada visão, uma revelação. O cansaço desaparece quando esta é a atitude constante’, i.e., quando a imagem é sempre nova e a sexualidade, portanto, constantemente estimulada através de novas inspirações.
Por não permitir que a crença livre seja aprisionada numa forma divina específica, o impacto da visão como revelação pode ser facilmente incutido, acabando-se com a esterilidade. Uma das máximas fundamentais de Spare é a de que “o que é comum é sempre estéril” (’O Grimório de Zos’), pois não se pode criar a partir de imagens comuns ou familiares. Esta familiaridade conduz à desvitalização, preguiça e atitudes convencionais, o caminho mais fácil para se evitar os obstáculos. “Se eu superar este cansaço indesejado, transformar-me-ei num Deus”. A mente deve estar treinada para conseguir enxergar de modo sempre renovado e a fórmula de Spare para conseguir isto é “provocar a consciência pelo toque e o êxtase pela visão… Permita que sua maior virtude seja a o Desejo Insaciável, a corajosa auto-indulgência e a sexualidade primal”.
A chave para a sexualidade primal, ou Nova Sexualidade, é dada no livro The Focus of Life (”O Objetivo da Vida”) onde Zos exclama: “livre-se de todos os meios para atingir um fim”. É o caminho do imediatismo em contraste com o do adiamento da realidade numa simulação desenergizada: “faça agora, não daqui a pouco…pois o desejo só é realizável pela ação” (esta é, sem dúvida, uma crítica direta que Spare faz das pomposas técnicas ritualísticas praticadas na Aurora Dourada, da qual ele foi membro em 1910).
Continua ele: “o objetivo final é alcançado não pela mera pronúncia das palavras ‘eu sou o que eu sou’, nem pela simulação, mas pelo ato vivo.
Não pretenda ser o ‘eu’ apenas, seja o ‘Eu’ absoluto, completo e real, agora.”
Esta é a teurgia da transformação da Palavra em carne. No “Livro do Prazer”, ele pergunta: “porque vestir robes e máscaras cerimoniais e simular posturas divinas? Não é preciso repetir gestos ou fazer imitações teatrais. Você está vivo!” Este é o motivo pelo qual Spare rejeitava as práticas de seus colegas magos e daqueles que simplesmente “ensaiam” a realidade, em detrimento da sua verdadeira vitalidade e desejo, através de uma simulação que, em última instância, acaba negando a própria realidade! Spare alega que a magia simplesmente destrói a realidade por ser praticada num momento em que o Eu Superior não é real nem vital, em que Ele não é todas as coisas ou em que o poder para se transformar em tudo não está presente. As pessoas “prezam magia cerimonial ou ritual e o palco mágico acaba cheio de fãs. Será através de mera representação que nos transformaremos naquilo que estamos representando? Se eu me coroar Rei, transformar-me-ei num? Mais certamente, transformar-me-ei num objeto de piedade ou desgosto.”
Estes ensinamentos, desenvolvidos por Spare antes da I Guerra Mundial, estão muito próximos das doutrinas da Escola Ch’an de Budismo, cujos textos principais apenas recentemente foram colocados à disposição do público em geral.
Livrar-se de todos os meios para atingir um fim é simples de se dizer, mas não tão simples de se fazer. Um desenvolvimento pleno do senso estético é necessário, pois sem este não é possível aceitar nem entender a doutrina da Nova Sexualidade, seja intelectual ou simbòlicamente. Isto pode ser conseguido pela saturação do complexo corpo-mente nas emanações sutis do Culto de Zos Kia, através do acompanhamento do trabalho de Spare em direção às células iluminadas do subconsciente; pela aquisição de uma percepção ultra-sensível para as situações do quotidiano, como se elas não estivessem distanciadas do Eu Superior. Spare compreende a Natureza inteira (o universo objetivo) como o somatório de nosso passado, simbolizado, aparentemente cristalizado fora de nós mesmos. Apenas o potencial, naquele exato instante meteórico de sua manifestação, deve ser agarrado e tornado vivo num segundo de êxtase, pois “quando o êxtase é transcendido pelo êxtase, o ‘Eu’ se torna Atmosférico (Superior) e deixa de haver espaço para que os objetos sensuais criem de modo diverso…”
Contudo, não se consegue localizar a Crença Suprema na Natureza porque, tão logo a Palavra tenha sido pronunciada, sua realidade se transforma em passado, já não é mais uma realidade agora, podendo apenas reviver pela ressurreição quando recriada em carne; entretanto, o que confere realidade a esta Crença não é aquele que pronuncia a Palavra, nem a pronúncia Dela em si, mas uma sutil e vaga intertemporalidade que ocorre numa fração de segundo de êxtase. “Não existe verdade falada que não seja passada, sábiamente esquecida” (’O Anátema de Zos’). No ‘Grimório’, Spare ainda nos diz que “esta fração de segundo é o caminho que deve ser aberto…” Este caminho e o caminho do relâmpago são sinônimos e descrevem um estado indescritível que é não-conceitual: Neither-Neither (’nem isto, nem aquilo’), Self-love (’Auto-amor’ ou ‘Amor pelo Eu Superior’), Kia, ou a Nova Sexualidade.
A arte de Spare não é conhecida do grande público nem recebeu o merecido reconhecimento, e seu sistema intensamente pessoal de bruxaria ainda não abriu seu caminho na estrutura do ocultismo moderno. Entretanto, existem indícios de que não será preciso muito tempo mais para que sua magia verdadeira receba um poderoso estímulo da corrente mágica deste final de século, pois se houve alguém no início deste que antecipou e interpretou corretamente tal corrente, este alguém certamente foi Austin Osman Spare.
Nenhum comentário (clique para comentar)Lúcifer
Que os leitores não tomem esta afirmação no sentido Teológico Romano, que se apresenta como uma clara deturpação do ARCANO. “Lúcifer ou Luciferusé em antiguidade e realidade o Nome da Entidade Angélica que preside a LUZ da VERDADE como sobre a Luz do Dia. No Grande Evangelho Valentiano PISTIS SOPHIA ensina-se que os TRÊS PODERES dos TRÊS PODERES TRIPLOS, onde SOPHIA (o Espírito Santo segundo Os Gnósticos, os mais instruídos de todos) reside no planeta Vênus ou Lúcifer” (Blavatsky).
Literalmente, Lúcifer quer dizer “O PORTADOR DA LUZ”, derivando-se a palavra do Latin - LUX (Luz) e FERRE (Trazer), que na Tradição Grega tomou o Nome de PROMETEU, aquele que roubou o ‘Fogo Sagrado dos Deuses’, e o trouxe para os homens.
Somente a partir de “PARAISO PERDIDO” de Milton é que o Nome adquire uma referenda ao “diabo”, antes a palavra nunca fora dada ao “diabo”. Na própria Igreja Romana houve um Papa chamado Lúcifer, o que confirma a asserção acima.
Esotericamente, Lúcifer foi o nome dado ao Primeiro Arcanjo surgido do Caos para iniciar a AURORA MAVANTARICA, o LUMINOSO FILHO DA MANHA.
Uma Ordem Luciferina é aquela que mantém um ensino destinado a despertar a memória humana para lhe lembrar a sua Natureza Gloriosa e Divina. Essa Ciência foi denominada “Luciferina” porque os seus propagadores se encarnaram, segundo a tradição qabalistica, para trazer “o Fogo do Saber” (LUZ) aos homens, foram eles os “Portadores da Luz”.
1 comentário (clique para comentar)Baphomet
Baphomet (Grego), o andrógeno bode-cabra de Mendes. Segundo os cabalistas ocidentais e especialmente os franceses, os templários foram acusados de adorar Baphomet, e Jacques de Molay, grão-mestre dos templários, com todos os seus irmãos maçons, morreram por causa disso. Porem, esotérica e filosoficamente, tal palavra nunca significou “bode” nem qualquer outra coisa tão objetiva como um ídolo. O termo em questão significa, segundo Von Hammer, “batismo” ou iniciação na sabedoria, das palavras gregas Bafe e metis e da relação de Baphometus com Pã. Von Hammer deve estar certo, Baphomet era um símbolo hermético-cabalistico, porém a historia, tal como foi inventada pelo clero, é falsa. Pã (Gr.), o deus da Natureza, do qual deriva a palavra Panteismo; o deus dos pastores, caçadores, lavradores e habitantes das campinas.
Segundo Homero, é filho de Hermes e Dríope, seu nome significa “Todo”. Foi inventor da chamada flauta do deus Pã e uma ninfa que ouvisse o som deste instrumento não resistia ao fascínio do grande Pã, apesar de sua figura grotesca. Pã tem certa relação com o bode de Mendes, no que este representa, como um talismã de grande potência oculta, a força criadora da Natureza. Toda a filosofia hermética baseia-se nos segredos ocultos da Natureza e assim como Baphomet era inegavelmente um talismã cabalístico, o nome de Pã era de grande virtude mágica naquilo que Eliphas Levi chamava de “Conjuração dos Elementais”.
Há uma lenda piedosa muito conhecida e que se tornou popular no mundo cristão desde o tempo de Tibério e que significa que “o grande Pã morreu”. Porém o povo equivoca-se muito nisso, pois nem a Natureza nem qualquer de suas forças pode morrer. Algumas podem ficar sem uso e esquecidas, podem ficar como que adormecidas durante longos séculos. Porem, assim que se apresentam as condições apropriadas para seu despertar, entram novamente em atividade, com uma potência dez vezes maior do que anteriormente.
Satã
Satã (Hebraico) - Sua verdadeira origem, contudo, repousa em uma fase de história religiosa bem anterior a Goetia medieval e o rito Greco-Egipcio; ele existia na época Akkadiana ou Suméria, quando o mais antigo dos deuses Set ou Shaitan era adorado nos desertos pelos Yezidi .Este rito repleto de Palavras de poder ou os “Nomes Bárbaros de invocação Etmologicamente Restaurados” foi publicado por Crowley em Magi(k)a em Teoria e Prática (1929). A realização deste ritual coloca o magista na esfera de seu anjo. O resultado é descrito como “Conhecimento e Conversação com o Sagrado Anjo Guardião”. Somente através de intima comunicação com seu Anjo o homem conhece a palavra de sua Vontade, e, tendo á conhecido, parte para satisfazer, porque uma vez que o homem travou contato com seu anjo nenhum poder na terra poderá impedi-lo de realizar uma Vontade.
No Aeon que passou (o de Osíris), Set ou Satã era tido como o mal: a natureza do desejo era mal interpretada; era identificada com o Diabo e com danos morais. Embora este demônio, Satã, seja a verdadeira fórmula de iluminação.
Na tradição oriental este processo é chamado de Abertura do Olho de Shiva que é também o olho de Set, porque ele suga para si toda a luz que Hórus projetou. É neste sentido que Satã veio a representar o opositor (da luz).
Mais precisamente Set é o Destruidor através da Identidade, porque Satã como o nome diz é a combinação e balanço do Norte (Nuit) e Sul (Hadit), em Consciência, e sua projeção como o universo objetivo. Isto explica a equivalência de Set, o Deus do Sul, e Nuit a Deusa do Norte.
Babalon e Therion são avatares biológicos (Kteis e phallus) de Nuit e Hadit, Lua e Sol, Norte e Sul, circulo e Ponto, Terra e Ar, Água e Fogo e assim por diante. Sua união produz Ra-Hoor-Khuit que esconde seu gêmeo dentro dele. Seu duplo, ou “demônio” Hoor- paar -Kraat’. Os dois são idênticos no sentido que uma idéia não pode existir somente em virtude da contradição contida na mesma.
Um exemplo clássico é o famoso paradoxo de Cha ‘ an- “Eu sou porque não sou”.
Certamente não se encontrará, de modo algum, um ponto em que se veja tão manifestadamente a que absurdos extremos podem levar as interpretações errôneas de idéias e doutrinas primitivas. O Satã da teologia ocidental, com todo o horror dogmático de tal ficção, é filho de uma interpretação viciosa, que desfigurou completa e totalmente um dos conceitos mais ideais e profundamente filosóficos do pensamento antigo.
As lendas dos “Anjos caídos” e das “Guerras no céu” são de origem puramente pagã e procedem da Índia e da Caldéia. Tais guerras referem-se às lutas de ajustamento espiritual, cósmico e astronômico, porém principalmente ao mistério da evolução do homem, tal como é na atualidade. O clero de todas as religiões dogmáticas considera Satã como “Inimigo de Deus”. “Anjo rebelde”, “Anjo do mal” ou “Espírito das Trevas”. Porem, ao deixar de ser considerado segundo o espírito supersticioso e antifilosófico das Igrejas, Satã converte-se na grandiosa figura de um personagem que faz do homem terrestre um Homem divino, que lhe dá, durante todo o dilatado ciclo do Mahâkalpa, a lei do Espírito de Vida, que o livra do ” pecado da ignorância” e, portanto, da morte. (Doutrina Secreta, I, 22O.) Satã era um dos “Filhos de Deus” e o mais belo de seus Arcanjos. Nos Purânas, o primeiro “Adversário” em forma humana é Nârada, filho de Brahmã e um dos maiores Richis e Yogis, designado pelo sobrenome de “Promovedor de lutas”. Satã é uno com o Logos. O Logos é Sabedoria, porém, ao mesmo tempo, como adversário da ignorância, é Satã e Lúcifer.
Satã é O verdadeiro criador e benfeitor, o Pai espiritual da humanidade, o Heraldo da Luz, o brilhante Lúcifer, que abriu os olhos do autômato “criado” por Jeová e conferiu á linhagem humana a imortalidade espiritual. ” Impulsionado pela lei do Karma e da evolução eterna”, o Anjo se encarnou como homem na Terra, conservando todo seu saber e conhecimento divinos. A sabedoria Divina, caindo como um raio (cadebat ut fulgur), avivou a inteligência daqueles que lutavam contra os demônios da ignorância e da superstição. Satã pode ser considerado alegoricamente como o Bem e o Sacrifício e como Deus da Sabedoria. Não é sem razão que foi qualificado de “Adversário”, por que, como acabou de ser dito, o Deus da Sabedoria e, especialmente, da Sabedoria Secreta, naturalmente oposta a toda ilusão efêmera do mundo, incluindo-se nela as religiões dogmáticas e eclesiásticas. Por outro lado, Satã existiu sempre como força antagônica, tal como o exigem o equilíbrio e a harmonia de todas as coisas da Natureza, do mesmo modo que a sombra é necessária para tornar a luz mais brilhante e a noite para que se ressalte o esplendor do dia. Deus e Satã: os dois “Supremos” são uma só e mesma entidade vista de dois aspectos diferentes.
A Igreja, pois, ao maldizer Satã, maldiz o reflexo cósmico de Deus; anatematiza o Deus que se manifesta na Matéria e no mundo objetivo; execra a Deus ou á Sabedoria sempre incompreensível, que se revela como Luz e Sombra, Bem e Mal na Natureza. Se “Deus” é absoluto, infinito e a Raiz Universal de tudo o que ha no universo, de onde vem o Mal senão da própria matriz do Absoluto? Assim, temos de aceitar a emanação do Bem e do Mal, do Agathodaemon e do Kakodaemon como ramos do mesmo tronco da Arvore do Ser ou, do contrário, teremos de nos resignar ao absurdo de crer em dois Absolutos. Porém, ao se considerar melhor, não há realmente Mal em si; o Mal é apenas uma força cega antagônica na natureza ; é a reação , oposição e contraste; mal para alguns, bem para outros: não há regeneração nem reconstrução sem destruição. Se o Mal desaparecesse da Terra, com ele desapareceria o Bem.
Uma vez explicado o significado da alegoria de Satã e sua hoste, resta dizer que se recusaram a criar o homem físico só para serem os salvadores diretos e os criadores do Homem divino. Em lugar de ser um mero instrumento cego, impelido e guiado pela Lei insondável, o Anjo “rebelde” reclamou e exigiu seu direito de vontade e juízo independente, seu direito de livre ação e responsabilidade, uma vez quem o homem e o anjo são iguais perante a “lei karmica. (Ibid., I, 215, 216)” Até que a Sabedoria descesse do alto para animar a terceira Raça e chamá-la á verdadeira vida consciente, a humanidade estava condenada a morte moral. (11, 240) Satã foi denominado de “Anjo das Trevas” e isto não deixa de ser justo no sentido de que a obscuridade é Luz absoluta, coisa que a teologia parece ter esquecido. Satã é, finalmente, nossa natureza humana e o próprio homem, razão pela qual se disse que está próximo do homem e inextricavelmente entretecido com ele; a única questão é se este Poder encontra-se latente ou ativo em nós. Qual seria a sorte do mundo se as pessoas tivessem horror maior á ignorância tenebrosa e ao frio egoísmo do que do ridículo Satã da teologia!
5 comentários (clique para comentar)A IOT não tem professores
A I.O.T. segue um parâmetro similar de admissão no mundo todo, que é a prática de líber MMM por seis meses. Este é um portal para separar a qualidade dos interessados, levando-se em conta que a I.O.T. é uma sociedade mágica que não tece uma ponte aos candidatos diretamente, o processo é inverso.
Quando neste processo o interesse parte de uma Ordem ou de pessoas em relação ao candidato, isto técnicamente passa a ter um caráter obscuro ou religioso.
Aquele que é “chamado” à Grande Obra não deve esperar que Alguém ou Algo o auxilie ou o conduza, pois aqueles que iniciaram o movimento denominado Chaos Magick não deixam uma seqüência de monografias ou Libri sagrados. O que existe são depoimentos de experiências práticas de magistas, que podem ser acessados através de livros e documentos. Porém, muitos têm preguiça de acessar tais materiais em inglês, ou desconhece que tal material abunda na internet.
O que o Pacto oferece é algo diferente, é uma sociedade mágica onde existem especialistas práticos de diversos paradigmas: O.T.O., Satanismo, Shamanismo, etc, que estão interessados em TROCAR experiências. O que, obviamente, segue um parâmetro natural de que ao chegar ao Pacto o candidato tenha mais a receber do que dar. A experiência internacional é muito interessante, pois a convivência prática com indivíduos que estão ligados a diversos paradigmas originais, até mesmo nos países onde se originaram, é muito enriquecedora. Adicione a isto que a I.O.T. prima pela prática.
A compaixão é um sentimento ilusório e ofensivo à natureza real do homem. Portanto, cuidado com aqueles que desejam seu crescimento sem nada pedir em troca ou que oferecem conhecimento por procuração.
Fr. G. - IOT Sul-América
1 comentário (clique para comentar)A Não definição de Magia do Caos e o Pacto IOT
Talvez seja inútil ou perda de tempo buscar definição para Magia do Caos. Este termo é freqüentemente usado apenas por alguns para uma aproximação maior com leigos, ou melhor, mentes que desejam definir magia de alguma forma.
Qualquer um que se dê a liberdade de praticar, livre de preconceitos, qualquer tipo de magia que pessoalmente lhe seja afim, provavelmente é um ser que está mais bem preparado para se livrar dos processos conceitualistas da magia. E aqueles que se sentem desta forma, quer dizer, livres, podem se associar com pessoas mentalmente afins para trocar idéias, práticas, etc.
A intuição das coisas “divinas” desperta certa atividade nos corações e, algumas vezes, o indivíduo movido por uma força dentro de si mesmo busca se unir a uma corrente que se harmonize com sua capacidade de vibração. Por outro lado, a verdadeira fraternidade apresenta sempre seus símbolos, mas sem explicá-los. Não prega nem insiste, limita-se a expor os fatos e deixa que cada um os verifique por si mesmo e tire as suas próprias conclusões.
Daí nasceu a idéia do Pacto - um pequeno grupo de pessoas mentalmente afins que trabalham em conjunto para o crescimento individual e coletivo. Entretanto, o Pacto não é uma escola de magia com livros sagrados, o fato é que aprendemos uns com os outros.
Há um pequeno requisito para admissão ao Pacto que é a prática de Liber MMM por 6 meses, pois assim são testados prioritariamente os primeiros requisitos para qualquer um que postule magia em sua vida - a sua força de vontade, um mínimo de habilidade em concentração e posteriormente confiança - isto é básico em qualquer grupo.
Porém, independente de trabalhar com grupos ou só, saiba que a vida e a magia estão profundamente entrelaçadas e, sendo assim, no transcorrer de ambas percebe-se que tanto uma quanto a outra são estruturas essencialmente pragmáticas. Por isto, os melhores indicadores de resultados mágickos em nossas vidas são as nossas “taxas” de alegria, de sucesso e de realizações.
Respostas para perguntas intelectuais estão espalhadas por toda internet e livros, mas a “verdadeira magia” está em sua vida. E, se você consegue compreender isto, não haverá preocupações com a moralidade, por exemplo, porque o bom senso imperará espontaneamente.
Fr. G. - IOT Sul-América
2 comentários (clique para comentar)O que é Magia do Caos
Por que Magia do Caos?
Como nosso mundo evolui, também evolui a magia. A Magia do Caos começou a atuar no fim dos anos 70, época em que surge, entre outras correntes, o movimento rock-punk, amedrontando o status quo. Vemos agora a teoria do caos se movendo de obscuros setores da matemática até ser aceita como uma nova ciência. Fractais gerados por computadores se tornam alvo da moda e “mandalas”, objetos de desejo para a nova geração. O Caos está na moda. Porém, não rejeitamos a cultura moderna, nós a aproveitamos.
Através da história, a forma pela qual a magia é descrita e entendida também se transforma. Desde o início, no “proto-xamanismo”, até o grande “renascimento mágico”, na virada deste século, a Magia do Caos estabelece e faz a nossa entrada para o próximo século.
Têm havido revoluções na ciência, literatura e arte. A Magia do Caos é a primeira revolução no campo da magia. Filosofias mágicas antigas têm sido enraizadas em conexão com o passado, como dos ancestrais ou historicamente (romantismo mágico). Embora muitos dos pilares da Magia do Caos estejam em construções feitas na magia, ela amplia mudanças em vez de continuidade, como uma constante universal ou única.
Nós vivemos num mundo que muda rapidamente, as aplicações da alta tecnologia e a saturação do nosso meio nos permitem misturar estilos de infinitas maneiras, onde elementos do passado, presente e possivelmente do futuro marcam presença em muitos aspectos de nossa vida cotidiana, desde as roupas que vestimos até as crenças que adotamos.
Enquanto outros sistemas mágicos prometem estabilidade, um tempo fixo, um universo ordenado e todo fechado, a Magia do Caos se modifica com a fusão e a fluidez da vida moderna.
Então como a Magia do Caos se diferencia de outros sistemas em evidência em nosso mundo contemporâneo?
Em primeiro lugar, a Magia do Caos é um paradigma ao invés de um sistema nela mesma. Ela é uma aproximação ou uma visão geral, onde cada um, individualmente, cria seu próprio psicocosmo mágico. Ao invés de seguir um caminho pré-estabelecido, a Magia do Caos traça e segue seu próprio caminho, buscando o que é melhor para ela. Os magos caóticos têm, desde o princípio, a opção de serem tão ecléticos quanto desejarem, selecionando condições e técnicas de qualquer sistema mágico que acreditem ser útil, sejam do passado, presente ou futuro, da literatura, arte, ciência, pseudo-ciência, tecnologia ou fantasia.
O impacto revolucionário da Magia do Caos é dar ênfase à experiência própria. O que interessa é a experiência de vida ao invés de se acomodar a crenças, segredos ou listas de correspondências. Não existem professores. No Caos não há professores, livros “sagrados” ou tradições que ditem crenças e comportamentos. Os magos do Caos são livres para agirem primeiro, escolherem sua questões e depois suas respostas. Este é o mago do Caos. Ao invés de guru ou professor, ele é responsável pelo desenvolvimento, experiência, criatividade e resultado de suas ações.
A magia tem sido um caminho ou uma forma de se criarem ilhas de ordens, tema que Austin Spare chamou de “caos normal”.
Como a realidade se tornou mais complexa, parece que realidades se tornaram incrivelmente abstratas e relativamente simples. O mundo de um Xamã tribal é o reflexo do seu mundo diário, em contraponto ao mundo interior de “visões” cabalistas do século XX.
A visão geral da Magia do Caos é que qualquer ilha de ordem que criarmos é melhor em claves temporários, que acreditamos ser uma ferramenta e não um conjunto de limitações que pode rapidamente se tornar um dogma estagnado. Então, o mago caótico deve escolher e adaptar o complexo sistema cabalista como um parâmetro temporário, exatamente como deveria, dado o tempo suficiente, esvaziam-se de suas crenças pessoais que governam todos os aspectos de seu comportamento e de sua atitude.
“Nada é verdadeiro, tudo é permitido” é um dos poucos slogans do Caos. Não entendemos porque alguns ocultistas reagem ao Caos, ainda que militantes anarquistas.
Como já estamos no século 21, um número de conceitos que, até recentemente pareciam estáveis e entendidos, têm sido questionados.
Um dos conceitos indistintamente pronunciados sobre a Magia do Caos é a falta de base ética. A maioria das ordens e sistemas ocultos postula claramente o estabelecimento de sua ética, e isso não quer dizer que o praticante precise cumpri-la. O paradigma do Caos rejeita a necessidade desta atitude e, ao invés disso, pende na direção de que pessoalmente a moralidade cresça dentro de cada um e individualmente, se defina e aplique seus próprios princípios éticos, em contraponto à sua imposição. Tendo dito isso, a Magia do Caos é, em geral, pró-vida e pró-liberdade de expressão.
A magia tende a ser tratada como separada ou além da nossa existência do dia-a-dia. A Magia do Caos, contudo, sustenta que os trabalhos mágicos funcionam melhor quando são adaptados às situações de nossa vida.
O ajuste do Caos é se tornar mais flexível e adaptado no mundo em que vivemos, para abrir um vasto ângulo em vez de uma única visão direcionada do universo e abrir novas alternativas para encontrar a posição e perspectiva para agir e atuar decisivamente. Magia se torna não somente o que fazemos, mas como vivemos.
A magia se torna estagnada quando se represa em um conjunto de formulações e procedimentos. Olhar além do que conhecemos como magia, e ir além.
Aproveite.
Phil Hine, janeiro de 1993
1 comentário (clique para comentar)Rito Solar
Introdução
A função das formas de Deus Solar é encapsular o perfil ideal psicológico de um balanceado, mais poder benigno, encarnar a consciência de andar pela terra fazendo seu desejo triunfante com uma calma e centrada segurança do eu. Em resumo, eles representam o ideal o qual muitas pessoas aspiram, mas falham em alcançar, na maior parte. Consciência solar é um excelente veículo para o mago, quando ele não está preparado para outras expressões de seu eu. A consciência solar combina bem com todas as outras formas de consciência planetária, com exceção de Saturno, o mais distante dos planetas clássicos do Sol.
A proposta do rito solar é tripla. É uma invocação dos atributos da consciência solar. Estabelece um gestual como um gatilho para futura saída dentro da forma de deus e fornece uma facilidade para se fazer um juramento ou resolução, ser puro sentimento, enquanto em consciência solar.
O gatilho gestual pode ser um simples procedimento, como a transferência de um anel para um dedo diferente. O juramento ou resolução deveria referir-se a uma mudança de comportamento durante a consciência solar.
O Rito Solar
Material:
Som
e/ou “strobe”; Incenso de iluminação amarela.
Proposta:
Estabelecer uma personalidade ou consciência solar alternativa.
Tomar algum juramanto ou resolução.
Estabelecer alguma postura como alavanca para os ítens acima.
Estabelecimento de intenção:
“É nosso desejo estabalecer a consciência solar e acioná-la com gestos”.
Abertura:
6 sopros na concha.
Meditação em
com a mente vazia - gargalhada esporádica a vontade.
Proclamação:
“Os deuses do Sol”
Invocação:
Depois de cada linha, o mantra “A” e a visualização da radiância amarela.
Desenhe os sinais no peito, depois de cada uma das primeiras 6 linhas.
Resoluções e banimento com gargalhada.
Estabelecimento de Intenção:
É nosso desejo invocar a consciência solar e acioná-la com gestos.
6 sopros na concha.
Fita e gargalhada esporádica.
Invocação:
Os deuses do sol têm uma orgulhosa auto-confiança
Os deuses do sol vêem o melhor em todas as coisas
Os deuses do sol são relaxados e benignos
Os deuses do sol são alegres como uma criança
Os deuses do sol sorriem das adversidades e gargalham da morte
Os deuses do sol são centrados, poderosos e calmos
Com a runa do sol, nós os invocamos 
Com a cruz solar, nós os invocamos ![]()
Com o número seis seis seis, nós os invocamos 666
Com os raios de trovão do sol, nós os invocamos 
Com a ANKH solar, nós os invocamos 
Com o símbolo do sol, nós os invocamos ![]()
Eu sou o dourado luminoso e belo
Eu sou o dourado brilho imensurável
Eu sou o dourado, para o qual tudo é possível
Eu sou o dourado, a Terra é meu brinquedo
Eu sou o dourado, o sucesso é a minha prova
Eu sou o dourado alegre, triunfante
A mim toda aclamação, a glória brilha de mim
A mim toda aclamação, o triunfo do poder
A mim toda aclamação, o sol invencível
A mim toda aclamação, o deus do amanhecer
A mim toda aclamação, o sol indomável
A mim toda aclamação, que sou a arte do sol em sua ascensão
Resolução:
Gargalhada de banimento.
Rito de Saturno
Para consagrar um encanto entrópico.
1) Três sopros na concha.
2) “É nosso desejo consagrar um encantamento entrópico para detonar a nomeação do alvo e a passagem das runas.”
3) Invocação culminando com o encantamento. Visualize-se na forma de um deus da morte.
Invocação de Thanatos

“Permita-nos fazer o sinal de Saturno”
Zamran micalzodo, Thanatos
Thanatos, Thanatos
Deus negro do terror frio de Saturno
Nós o invocamos, nós o invocamos
Senhores da tumba ergam-se conosco
Território de Hécate, feiticeira de Ghoulish
Deusa da lua minguante
Venha, Cronos, deus ancestral da morte
No preparo da foice ensangüentada
Venha, Átropos, irmã negra
Que corta os perigos da vida
Venha, Yama, de seus campos queimados
Com cabelos de fogo e guirlanda de ossos
Venha, Kali, deusa bebedora de sangue
Com cabeças decepadas e facas mortais
Nós somos vocês, na espera do fim de tudo
Venha, Anubis, com cabeça de chacal
Senhor do banquete de cadáveres
Nós somos vocês, deuses da morte
É nosso o ofício de reciclar
O qual inutiliza nossa existência
É nossa a chave da tumba
É nosso o poder de cronometrar seu fim
É nosso o poder da entropia e do decaimento
É nosso o poder de explodir e definhar
É nosso o poder da sepultura que espera.
Antiga Maldição Irlandesa
(O texto a seguir foi mantido no original a fim de manter sua sonoridade)
This ae night this ae nighte
Everie nighte an alle
Fire and sleet and candlelighte
Destruction take thee alle
If from hence away thou’rt past
Everie nighte of alle
To winney muir thou comest at last
Destruction take thee alle
If ever thou gavest roof and flame
Everie nighte and alle
Pass thee by the standing stane
Destruction take thee alle
The standing stane when thou art past
Everie nighte and alle
To empty airt thou comest fast
Destruction take thee alle
From empty airt when thou art past
Everie nighte and alle
To allemans ende thou comest at last
Destruction take thee alle
And if thou holdest anie thing
Everie nigth and alle
The ende thou canst not enter in
Destruction takes thee alle
But if you gardest nae thing at alle
Everie nighte and alle
To allemens ende thou’l passe and falle
And destruction take thee alle
4) Runas:
Isa
Thurisaz
Naudiz
5) Encantamento no caixão. “Eu vou queima-lo”. Do caixão para o triângulo. Música.
6) Maldição:
- Aponte para baixo o braço esquerdo, visualizando:

Quando eu lhe nomear, o fim estará próximo
Morte, morte, morte
Quando passarem as runas, será o fim
Morte, morte, morte
Você será destruído com esta maldição!
Morte, morte, morte.
7) Três sopros na concha e gargalhadas.
8) Banimento Gnóstico.
Nenhum comentário (clique para comentar)Rito de Júpiter
Para a conscientização do uso do pantáculo para o sucesso com dinheiro. Preparação inicial:
Folhas de papel individuais laranja listando medos, desgostos e reservas com o dinheiro.
1) Sentam-se em um quadrado, MT e um saco de dinheiro no centro.
2) Estabelecimento de intenção:
É nosso desejo invocar a consciência de dinheiro jupiteriana e consagrar um pantáculo de consumação de uso singular para o sucesso com o dinheiro.
3) 4 sopros na concha, um em cada quadrante. É pedido, às pessoas de cada quadrante, que coloquem os papéis laranja dentro do braseiro e retornam aos seus lugares.
4) Exorcismo:
MT acende o braseiro e diz: “APOS PANTOS KATODIAMONOS”
Todos gritam para as chamas, 4 vezes: “Fora demônios, fora!”
5) Todos preparam pantáculos azuis e colocam no centro.
6) Invocação do dinheiro pelo MT:
Dinheiro!
Dinheiro é mal somente quando não está em movimento
Dinheiro é o espírito do movimento
Para a natureza do dinheiro ter mudado
Da terra para o ouro, para o papel, para o plástico, para o puro número
Eu te digo:
Dinheiro é da natureza do ar, não da terra
Dinheiro é espírito da criação do homem
Como qualquer deus ou demônio
É existência viva
Com seus próprios medos, amores e desejos
Dinheiro ama mover-se
Apenas pelo movimento, ele pode se reproduzir
Quando ele está acumulado, ele morre aos poucos
Mas quando ele está em movimento, ele está fazendo sexo
Para que o dinheiro nos ame,
Nós precisamos nos tornar canais de seu movimento
Invista em nós, Oh! Dinheiro!
E nós lhe traremos vida
Nós lhe traremos bons tempos
Dinheiro, você é bem vindo para o nosso trabalho
Invista em nós, Oh! Dinheiro!
E nós, seus companheiros
Lhe traremos vida!
7) Invocação repetida individualmente:
“Vem Dinheiro, eu te ordeno
Eu amo o Dinheiro e o Dinheiro me ama
Dinheiro trabalha comigo”
MT passa por todos, representando o dinheiro e segurando o saco de dinheiro.
8) MT continua a litania, enquanto o dinheiro é passado por todos:
Eu amo o Dinheiro e o Dinheiro me ama
Eu me sinto confortável com o Dinheiro e o Dinheiro se sente confortável comigo
Eu respeito o Dinheiro e o Dinheiro me respeita
Eu gosto do Dinheiro e o Dinheiro gosta de mim…
O dinheiro retorna ao centro.
9) Postura de Júpiter, olhos fechados.
Visualize uma energia azul e manifeste, contundentemente, uma sensação de propriedade e poder.
Mantra: EMURT INUM (Dinheiro através de mim)
4 vezes a cada longa exalação, feita 16 vezes.
10) Soprem as conchas 4 vezes e fechem com gargalhadas.
11) Informalmente, recolham os pantáculos. Nenhum comentário (clique para comentar)
Rito de Mercúrio
Os vários deuses do arquétipo de Mercúrio, Thoth, Hermes, Odin e o próprio deus romano, Mercúrio, são a representação do protótipo mágico do Homem de truques. Este arquétipo é, tradicionalmente, ligado à escrita, à fala e ao desenvolvimento do pensamento e do intelecto. Mercúrio é, assim, o patrono dos homens de negócio, médicos, ladrões, matemáticos, trapaceiros, acadêmicos, escritores, cientistas e magistas.
Contudo, muitos magistas tendem a negligenciar o trabalho direto com esta forma de consciência, presumivelmente, por considerarem que este é um ponto adequadamente representado em todo o seu trabalho. Quando é realizado um trabalho puramente Mercurial, normalmente é como um prelúdio divinatório de algum tipo. Ainda assim, uma vez que a qualidade do arquétipo é o intelecto, no sentido de evanescência de pensamento mais do que sabedoria, seja lá o que for considerada sabedoria, uma verdadeira invocação da diversidade de Mercúrio deveria ter, como seu objeto primeiro, “o aumento da inteligência”. A educação convencional, com a sua ênfase na aquisição de conhecimento e técnicas concretas, só consegue comunicar habilidades do pensamento por acidente e a maioria das pessoas emergem disso, em todos os sentidos, tão tolas quanto quando entraram. Para o truque básico de pensamento básico efetivo é, paradoxalmente, suficiente não pensar sobre o pensamento. Mais do que isso, é necessário deixar o pensamento se alvoroçar espontaneamente, sem deliberação incômoda.
Naturalmente, as ferramentas do pensamento, tais como o depósito de memórias, idéias e palavras, devem já estar presentes para serem usadas; efetivamente uma certa autonomia é requerida se você deseja ser surpreendido por sua própria criatividade. A maioria das pessoas podem jogar e apanhar uma bola, ações que demandam cálculos tremendamente complexos em curvaturas espaço-temporais de quatro dimensões , que assim mesmo, são experimentadas como sendo fáceis. Uma deliberação consciente, contudo, reduz esta tarefa a quase impossibilidade.
O truque de não pensar sobre o pensamento é, basicamente, o mesmo truque da prestidigitação usada, geralmente, em magia. Deve-se cultivar aquele estado de inconsciência do qual faz parte o pensamento pré-verbal, e aí, a fala ocorre em uma descarrilada seqüência de inspiração. Ainda, se não as idéias mais brilhantes vêm à tona quando o pensador, tendo exaurido as possibilidades de deliberação consciente, ajuda em vacuidade parcial e relaxamento e se surpreende com um “insight” repentino, uma das razões pelas quais a conversa com outra pessoa é freqüentemente mais frutífera que o pensamento solitário, é porque o período em que se escuta, força a um momento de vacuidade passiva do ouvinte.
O Rito de Mercúrio, a seguir, é concebido para implantar e desencadear a técnica de permitir o pensamento automático, sem que seja inconsciente. Depois dos primeiros passos preparatórios, é a primeira invocação gnóstica aprofundada pelo breve grito enochiano, seguido pelo mantra “I”, por uma exalação completa. Participantes, então, mentalmente adicionam uma coluna ou fileira de uma ampla representação do quadrado mágico de Mercúrio, buscando com esforço, permitir os números caírem para um total de 260. Os participantes, então, dobram as palmas das mãos, simbolizando as pontas das asas do caduceus, sobre os olhos, que devem estar fechados, buscando um total vácuo mental por alguns segundos, antes que o refrão em enochiano comece novamente para sinalizar com a volta da postura retilínea do caduceus e trabalhar com o grupo de números seguinte. Isso deveria ser realizado num mínimo de 8 vezes, ainda que as sequências de 16 ou 32 adicionais possam ser executadas, começando com os números mais exteriores e ir adicionando em relação ao lado oposto do quadrado.
Uma ampla representação do quadrado mágico de Mercúrio deve ser preparada e exposta proeminentemente. Os participantes podem tomar doses moderadas de estimulantes, se desejado. Alucinógenos devem ser evitados.
2) Afirmação de intenção:É nosso desejo invocar a consciência de Mercúrio para o aumento da inteligência.
8 notas em volume alto podem ser tocadas em algum instrumento.
3) Os participantes devem adotar a postura de Caduceus. Os participantes devem se visualizar como o Caduceus vivo enquanto a primeira invocação é comunicada.

A Primeira Invocação:
Nós que vivemos pela nossa capacidade de conhecimento e intelecto.
Nós invocamos a vós, vertiginosa rapidez mental
Mercúrio! Mercúrio! Espírito do pensamento ágil!
Benfeitor daqueles que escrevem ou furtam
Do arquétipo do cientista e do mentiroso
Nós vos invocamos Mercúrio, nós vos invocamos
Nos vibre adiante em velocidade alucinante
Rápido, rápido, sempre mais rápido
Possamos, nós, nos tornar Caduceus Mercuriais
As serpentes enroscadas do Caduceus do conhecimento
Um cérebro alado voando em uma ventania
Desatrele! Desatrele! A consciência Mercurial
4) O refrão de Enoch é proclamado:
Zodocare’ vampahcab zodong manin malpirge’
mova-se a varinha alada dos ventos na mente um lança chamas
salbrox gmicalzoma ananael
de enxofre vivificante com o poder do entendimento da sabedoria secreta
Deve-se realizar o mantra “I”, em uma exalação completa.
A coluna ou fileira de números é adicionada à 260.
As asas são dobradas, com as pontas cobrindo os olhos, por uns poucos momentos de completa ausência da mente.
As asas são desdobradas e o no 4) é repetido por um número de vezes previamente combinado.
Rito de Vênus
I - O nome Lilith vem, provavelmente, da Suméria e significa: “aquela que se apoderou da Luz”.
Originalmente, Lilith tinha um só aspecto, “a terrível Deusa-Mãe”. No desenrolar da evolução do mito, ela conservou dois aspectos singulares:
• Como uma prostituta divina, ela tenta seduzir todos os homens;
• E, como a terrível mãe, ela ambiciona prejudicar mulheres grávidas.
Estes dois aspectos de Lilith são encontrados nas escrituras babilônicas como personificações de Camaschtu e Ishtar.
Nos textos mágicos aramaicos ela aparece como um demônio, que causa tanto doenças corporais, esterilidade, aborto, como também perturbação psíquica.
Dizem que ela não só aparece em sonhos e visões como, também, os provoca.
Dos Códigos Antigos do Sacerdócio (Gênesis) consta que Lilith foi a primeira mulher de Adão. Deus criou Lilith, assim como Adão, do barro. Surge, assim, uma briga entre os dois, porque Lilith, no “movimento conjugal”, não queria se deitar por baixo. Lilith se referia à criação com o mesmo barro e desejava igualdade de direitos. Como Adão não conseguia aceitar que Lilith se deitasse por cima, ela o abandona e atrai para si de volta o Mar Vermelho (Deus, então, cria para Adão uma mulher dócil - Eva. Pois ela é somente uma costela, para não poder se rebelar.).
Podemos chamar Lilith para abortar crianças indesejadas. Para fazer correr desde aquele vizinho inoportuno, indesejável (não é à toa que um dos seus nomes é “a estranguladora”). Mas, também podemos chamá-la para nos ajudar a quebrar tabus ou nos livrar de nossos próprios padrões, conceitos e preconceitos.
II - Ritual:
RGP (Banimento)
O templo é iluminado por uma vela. A Sacerdotisa, que está com o corpo pintado de preto, fica de cócoras no meio da sala.
Os participantes entram nús e, um a um, no templo. Ao fundo um monótono tamborilar. Os participantes sentam em círculo em volta da Sacerdotisa.
Estabelecimento de Intenção:
“É nosso desejo, nos libertar de nossos preconceitos em relação à nossa conduta sexual.”
A música ressoa (de preferência: “Diamanda Galás - Deliver me from mine enemies”) e as invocações passam a ser entoadas.
Enquanto os participantes entoam um mantra, visualizam a sacerdotisa como Lilith (ela é uma Deusa com duas grandes asas e enormes pés de aves com garras para agarrar as presas).
Para os mantras, os participantes são divididos em dois grupos:
Mantra 1:
KISIKIL LILAKE.
Mantra 2:
KISIKIL UDDAKARA
(Os mantras são entoados alternadamente).
Quando a Sacerdotisa incorpora, ela se levanta e começa a dançar. Em algum momento ela grita alto e os participantes encerram os mantras.
Invocação Enochiana.
Após, a música recomeça e a Sacerdotisa busca um participante para dançar dentro do círculo. Cada participante joga uma pedra, como sacrifício para a Deusa, em um alguidar com um líquido vermelho e, então, outro participante entra no círculo.
Os participantes dançam e carregam o Sacramento. Separam-se.
Agradecimento e RGP (Banimento)
Invocação l:
Terrível ela é, impetuosa ela é, ela é uma Deusa, horrível ela é. Seus pés são como dos pássaros, seus cabelos são soltos, suas mamas são desnudas. Suas mãos estão em carne e sangue.
Deusa Negra, preto sobre preto.
Sangue ela irá comer, sangue ela irá beber. Como um boi irá bramir, como um urso irá resmungar, como um lobo irá esmagar.
Invocação 2:
Negra ela é, mas bela!
Seus lábios são vermelhos como a Rosa, mais doce que toda a doçura do mundo. Ela é a prostituta Lilith, ela que na escuridão voou do deserto para cá, para seduzir as pessoas. Ela é a causadora de sonhos e visões prazerosas.
Uma prostituta ela é!
Ela é a primeira Eva, a Deusa que combate à frente com revoluções pela liberdade. Ela é KI-SIKIL-LIL-LA-KE, uma menina permanentemente gritante!
Lilith - Invocação em linguagem lunar:
OMARI TESSALA MARAX,
TESSALA DODI PHORNEPAX.
AMRI RADARA POLIAX
ARMANA PILIU.
AMRI RADARA PILIU SON,
MARI NARYA BARBITON
MADARA ANAPHAX SARPEDON
ANDALA HRILIU.
Tradução:
Eu sou a prostituta, aquela que abala a morte.
Este abalo dá à paz, prazer realizante.
Imortalidade nasce em meu crânio, e música na minha vulva.
Imortalidade nasce na minha vulva também, pois minha luxúria é um doce perfume, como um instrumento de sete lados tocado para Deus, o invisível, o Todo-soberano, que vagueia ao redor, que dá o grito estridente do Orgasmo.
(Aleister Crowley : “A Visão e a Voz”).
Invocação Enochiana:
OL GOHE
Eu invoco
DO AO IP KI-SIKIL-UD-KAR-RA
o nome de Ki-Sikil-Ud-Kar-Ra
DAS I VAMAD BABALON BABALOND
aquela que é chamada de prostituta perversa
PI GIU EORS CORAXO
ela é mais forte do que mil trovões
PA MAZABA VAPAAH VOUINA
ela vem com asas de dragão
I TOLTORGI
e com todas as suas criaturas
BUTMONI PARM ZUMVAI
de suas bocas jorra sangue
PA BAHAL CINILA
ela chora sangue em alta voz
EOLIS OLLAG ORSABA
fazendo os homens ficarem inebriados
OD GOHIA CICELES TELOCHI
dizendo os mistérios da morte e
MALPIRGAY
aumentando a chama da vida.
MAZABA LILITH !
Venha Lilith!
ZAMRAN LILITH !
Apareça Lilith!
Rito de Marte
Proposta:
Para desenvolver a vitalidade física e a coragem e, adicionalmente, lançar um encanto de combate, se necessário.
Estabelecimento de Intenção:
É nosso desejo desenvolver a vitalidade física e a coragem e/ou lançar um encanto de combate.
1) Os participantes devem marchar ao redor do templo à maneira militar, com empolgação, ao som de brados de comando e música marcial ou batidas de tambor.
Os participantes podem carregar armas.
2) 5 batidas em um instrumento metálico assinala o início da invocação. Os participantes ficam de pé em postura militar.
3) O mantra “A’ é vibrado 5 vezes, com exalações completas, visualizando-se energia vermelha fluindo do coração e pulmões para os músculos das extremidades.
4) A postura da RUNA TIWAZ
é adotado, e o nome TIWAZ é vibrado por 5 exalações completas.
5) A invocação de Horos é gritada:
“Io Horos, Horos!
Horos, venha para mim
Geburahzarpe!
Tua habilidade é minha, Horos!
Eu sou tu, Horos!”
6) Começa o sinal de Horos
Isso consiste em uma rápida alteração entre duas posturas, cada uma acompanhada por um grito.
Primeiramente, no sinal de entrante, o pé direito a frente e os braços estendidos a frente, grita-se:
Io, Horus!

Segundo, o sinal de conquistador, pé direito trazido de volta com um puxão e o braço direito levantado com o punho cerrado, grita-se:
“Geburahzarpe!”

O sinal continua por algum tempo, com os participantes invocando agressão e visualizando-se como guerreiros vermelhos com cabeça de falcão.
7) Um sinal é dado para parar e os participantes adotam uma postura marcial e soltam um alto KIAI, acompanhado por um soco no ar. Se um prévio sinal de preparação for usado, ele poderá ser batido no peito de cada participante.
Antes do Kiai ser dito, ele é arrancado, aglutinado no punho fechado e visualizado, momentaneamente, durante o Kiai.
8) A risada do banimento ou o banimento gnóstico pode ser usado para terminar o ritual.
Nenhum comentário (clique para comentar)Rito da Lua
Este rito lunar é uma invocação do erotismo e do carisma sexual de uma pessoa. Ainda que não seja concebida para atrair um parceiro em especial, permite a prática com o “Olhar da Lua”, uma técnica para a comunicação do desejo e convite, através dos olhos e dos lábios. De fato, todas as ligações são iniciadas através dos olhos e pelo sorriso. Os participantes devem se preparar para serem tão atraentes quanto possível, para o ritual. Mesmo os pássaros e as bestas da floresta não ficam sem uma manifestação de acasalamento e de exposição de suas plumas. A invocação de Enoch, necessariamente, incorpora alguma fraseologia irreverente. A verdadeira maioria dos tabus envolvendo o sexo e a vestimenta são para estimular o erotismo, às vezes, quando eles são deliberadamente rompidos.
Nossa hipertrofia sexual, a qual excede a de todas as outras espécies, vem a tona em proporção direta aos aparentes obstáculos culturais a sua expressão, assim revelando a real função de tais aparentes obstáculos. Seres inteligentes requerem, entre outras coisas, elementos de surpresa, excitação e violação de tabu para explorar a sua sexualidade até o limite que as suas possibilidades permitam.
O olhar da lua começa com a visualização, de olhos fechados, da meia lua imbutida na cabeça, atrás dos olhos, com chifres da lua projetados como orelhas, como a seguir:
Os olhos são, então, abertos e uma radiação da lua é visualizada projetando-se deles. Isto é normalmente acompanhado de um sorriso involuntário. Durante o ritual, é costumeiro praticar a projeção do olhar para dentro de um espaço vazio. Durante a sedução, naturamente é usado com o contato total do olhar.
1) Preparação:
Os participantes podem se adornar com jóias de prata e, se quiserem, com uma vestimenta considerada erótica. Doses leves de peças inibitórias podem ser empregadas.
2) Afirmação de intenção:
É nosso desejo invocar o potencial erótico e o carisma sexual.
3) O Mantra “U” é realizado com 9 exaltações completas, enquanto se visualiza um poder se formando na área da virilha.
4) Os participantes visualizam fantasias sexuais íntimas.
5) É feita a invocação de Enoch à Lua. As fantasias podem continuar:
ZIRDO HOATHE IAIDON GRAA TOLTORGI
Eu sou o verdadeiro adorador de toda poderosa lua com todas as suas criaturas
COMO BILORT LEUTHIMONG
uma janela do conforto para as feras do campo
ZORGUE YOLCAN MOZO IALPON HOLDOZ BALTAN MALPIRGAY
seja amável para mim traga para adiante alegria queimação gemido nela a incandescência da vida
SIAION DAXIL VEGED AAIOM
O templo do dorso se torna fonte entre nós
BABALOND LOHOLO VEPE ZOND SALMAN PARADIZ
uma prostituta brilha como uma chama no meio da casa das virgens
LUCIFITIAN CHISEM OBOC ABABALOND BALTOH
os ornamentos de brilho são meus uma guirlanda de uma prostituta de retidão
DRIX MABZA GOHOLOR OBOLEH
traga para baixo a sua toga levante a sua vestimenta
COMMAH PARACLEDA CYNIXIR SA TIANTA>
atadas juntas para um casamento misturados na cama
IMUAMA IALPON DAXIL QUAAN
apresenta-se a nós queima vosso dorso na sua criação
DOSING GRAA IXOMAXIP PANPIRA LONSHI
noite lua deixe ela ser conhecida derramando poder
CAOSAGI OLPIRT GRAA LOHOLO
sobre a Terra a luz da lua brilha
6) A dança da Lua.
Os participantes dançam ali mesmo no ato, em sugestiva sensualidade e de maneira convidativa, enquanto se acariciam com gestos firmes, dançam com entusiasmo. Os participantes dançam, essencialmente, com os olhos fechados, abrindo-os, ocasionalmente, para projetarem o olhar da lua.
7) A Invocação em ENOCH é repetida.
Os participantes podem continuar com qualquer mistura de dança , mantra “U”, fantasias e o olhar da lua, a sua preferência.
8) O ritual é concluído por uma enorme gargalhada ou por qualquer outro meio de encerramento.
Nenhum comentário (clique para comentar)Rito da Caosfera
É um ritual da iluminação da psicoterapia do Caos. Os participantes ficam de pé, como se estivessem de frente para a parede de um cubo imaginário que os envolve. A medida que são invocadas as forças planetárias, os participantes estendem os braços na direção de um dos vértices do cubo, visualizando-se dentro de uma “caosfera”, com um braço estendido, apontando o eixo da linha de projeção. Enquanto cada força planetária é invocada, os participantes visualizam a caosfera que os cerca, crescendo na cor da emoção associada à invocação. Os participantes podem iniciar a invocação por qualquer um dos vértices do cubo (isso é um ritual caótico), mas eles devem apontar na direção oposta em cada par, assim, Mercúrio por exemplo, é na direção oposta à escolhida para Júpiter. Mesmo que realizada por um único operador, as invocações, ele deve se referir a ele mesmo no plural.
A qualidade deve ser meditada por alguns momentos. Então, o grito do próximo nome indica o movimento para uma nova postura e o princípio de uma invocação.
Estabelecimento de intenção:
É nosso desejo experimentar a natureza múltipla do ser.
Estabelecimento preliminar:
O nosso nome é Legião.
É dividido que nós devemos existir
Não deixe que ninguém detenha todo o poder
Nós somos de todos os deuses e demônios
Invocação:
Eros! O radiante caminho púrpura
Êxtase que cria vida
Exalta-nos com sua volúpia!
Thanatos! O radiante caminho negro
A inevitável reciclagem da morte
Exalta-nos com seu terror!
Júpiter! Radiante caminho azul
A força do poder e da possessão
Exalta-nos com seu desejo!
Mercúrio! Radiante caminho laranja
A partida rápida do pensamento
Exalta-nos com seu anseio!
Vênus! O radiante caminho verde
Força impulsionadora do coração
Exalta-nos com seu amor!
Marte! O radiante caminho vermelho
O desobstruidor de todos os impedimentos
Exalta-nos com sua agressão!
Sol- Choronzon! Radiante caminho dourado
O deus do nosso ego feito dele mesmo.
Exalta-nos com a radiância de sua suprema unidade!
Asteróides- Baphomet!
O radiante caminho policromático
Exalta-nos com nosso total amor próprio.
Fechamento:
Nosso nome é Legião
Divididos é que nós devemos existir
Juntos, unidos por amor próprio
Não deixe que nenhum retenha isso dos outros
Nós estamos para todos os deuses e demônios.